Em 7 de dezembro é comemorado o Dia Nacional da Silvicultura, uma menção ao setor rural responsável pela produção de florestas plantadas. A data, instituída pela Lei 12.643 de 2012, é uma forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da silvicultura para o país.
De acordo com o extensionista da Emater/RS-Ascar e engenheiro florestal, Ilvandro Barreto de Melo, “a silvicultura tem um papel fundamental no aspecto ambiental, principalmente no que diz respeito aos recursos naturais, tanto de preservação quanto de conservação, mas também de exploração econômica dessas espécies exóticas”.
Para se ter uma ideia dos resultados positivos do manejo e a pegada sustentável dessa importante atividade agrícola, diariamente são plantadas 1,8 milhão de árvores com fins comerciais. A silvicultura brasileira abrange uma área de 9,3 milhões de hectares que geram R$ 33,7 bilhões, segundo o IBGE. A atividade de silvicultura é responsável por 4% do PIB (Produto Interno Bruto), e produziu em 2023, 25 milhões de toneladas de celulose, 11 milhões de toneladas de papel e ainda, 1,5 milhão de metros cúbicos de madeira para exportação.
silvicultura ocupa uma área de 9,3 milhões de hectares, sendo a Mata Atlântica o bioma com maior proporção de área de silvicultura. Mais de 80% das florestas cultivadas utilizam eucalipto plantado para fins comerciais, como produção de papel, celulose, madeira e carvão vegetal. Além do eucalipto, o pinus, a seringueira e a acácia estão entre as principais espécies cultivadas no Brasil. Na Região Sul, predominam acácia-negra, pinos e eucalipto.
A acácia-negra destina-se majoritariamente à produção de energia e, em menor escala, à construção civil. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar do último dia 21 de novembro, a cultura está em bom estado fitossanitário e passa pelas fases de preparo de áreas, plantio, tratos culturais, controle de formigas e colheita.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, cerca de 8,4 mil hectares estão plantados com acácia-negra e a cultura tem importância econômica e social significativa nas propriedades familiares, contribuindo para a diversificação de culturas e geração de renda. O relevo acidentado e a terceirização de operações, como corte e empilhamento, que representa cerca de 60% dos custos, limitam a rentabilidade, mas mantêm a produção viável. Além da Serra, as regiões de Santa Maria e Frederico Westphalen possuem áreas destinadas à silvicultura.
Mas afinal, o que é a silvicultura?
Muito representativa na economia brasileira, a silvicultura é a prática de cultivar, manejar e conservar florestas para a produção sustentável de madeira, papel, biomassa e outros produtos florestais.
O termo tem origem no latim e representa a união da palavra “silva”, que significa floresta e “cultura”, que faz referência ao ato de cultivar.
Logo, a silvicultura é a arte e a ciência que estuda as maneiras naturais e artificiais de restaurar e expandir as florestas.
Essa é uma atividade que inclui seleção de espécies, plantio, monitoramento do crescimento e colheita sustentável das árvores. Também envolve técnicas de manejo capazes de manter a saúde e a biodiversidade dos ecossistemas florestais.
A lei 12.643 também prevê que, na data, o poder público promova campanhas de esclarecimento e conscientização sobre a importância dessa atividade, direcionadas ao setor agropecuário e à população em geral.
Silvicultura e a economia: relação direta e com muitas possibilidades
Segundo o IBGE, Minas Gerais continua com o maior valor da produção da silvicultura, com R$ 7,5 bilhões (dados de 2022). Em seguida vem o estado do Paraná (R$ 4,8 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 3,8 bilhões).
A silvicultura é também uma fonte geradora de empregos e renda para milhões de pessoas em todo o país. Estima-se que 2,6 milhões de empregos diretos e indiretos estão ligados à atividade.
Além disso, a cadeia produtiva da madeira envolve diversas atividades, desde o plantio e o manejo das florestas até a produção de móveis, papel e outros produtos.
Com isso, essa é uma atividade que contribui para o desenvolvimento de comunidades rurais, promovendo a fixação do homem no campo.
Com um trabalho eficiente e bem realizado, nossa silvicultura possui um enorme potencial para aumentar a produção de madeira de forma sustentável. Com isso, consegue atender à crescente demanda por produtos florestais no mercado interno e externo. Para isso, os avanços tecnológicos e metodológicos na área são fundamentais. Eles têm possibilitado uma gestão mais eficiente e sustentável das florestas. Isso inclui técnicas avançadas de plantio, silvicultura de precisão, manejo integrado de pragas e doenças, práticas de conservação do solo e da água.
Além destes pontos, o desenvolvimento da bioeconomia, que utiliza recursos renováveis para a produção de energia, produtos químicos e materiais, vem abrindo novas perspectivas. O setor tem se mostrado como um dos grandes campos de oportunidades em inovações disruptivas que contribuem com o aumento da performance operacional em campo.
Silvicultura e eventos climáticos
Os sistemas agroflorestais são normalmente mais resilientes e possuem maior capacidade de proteção diante de variações climáticas, como estiagens ou excesso de chuva. Na calamidade que afetou o Rio Grande do Sul em maio deste ano, os sistemas agroflorestais e os silvipastoris contribuíram para atenuar as consequências negativas que atingiram o sistema produtivo. No entanto, em algumas situações, diante de eventos extremos, a cobertura florestal não foi capaz de dar sustentação, principalmente nas encostas de morros, provocando deslizamentos de terra. Por isso, os sistemas florestais têm um potencial significativo no sentido de contribuir na reconstrução pós-calamidade.
Fonte: Agrishow e Emater/RS-Ascar