Com a definição do início da cobrança de novas taxas a partir desta semana, pequenas e médias empresas já começaram a dar férias coletivas e, em alguns casos, a avaliar a demissão de seus funcionários.
Uma companhia do setor de madeira, fabricante de compensados e MDF, já anunciou que terá de cortar pelo menos 100 dos seus 2,8 mil empregados “para adequar a produção às incertezas relacionadas à imposição de significativo aumento de tarifas pelos EUA”. Os EUA são um dos principais mercados da companhia, que tem cinco fábricas. Destas, quatro no Paraná, nas cidades de Palmas, Ibaiti, Ventania e Telêmaco Borba, e uma em Santa Catarina, em Otacílio Costa. As demissões serão em Ventania e Telêmaco Borba.
Já outra que produz guarnições, molduras e acessórios para residências, itens voltados para exportação, especialmente para os EUA, está com 720 dos 1,1 mil trabalhadores em férias coletivas por 30 dias, desde 14 de julho. Esses trabalhadores estão alocados nas unidades de Guarapuava e Quedas do Iguaçu, ambos no Paraná, onde são produzidas molduras para exportação.
De acordo com a empresa, neste momento, a operação está parada, com exceção das áreas administrativas. “Estamos tomando decisões com base em dados concretos, visão de longo prazo e foco na sustentabilidade do negócio”, disse o CEO da companhia.
Para o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, há um problema na dependência de algumas empresas de um determinado mercado, o que se torna um problema em um momento como este. “Veja por exemplo o setor de porcelanato, que não tem sido muito falado. É um setor que basicamente vende para o mercado interno”, diz. “Também exporta bastante pra América Latina, e exporta apenas um pouco para os EUA. Mas quem exporta para lá agora será muito afetado.”
Fonte: O Sul




