O Sistema FIERGS, por meio do Conselho de Relações do Trabalho (Contrab), reforça a recomendação para a utilização da negociação coletiva como instrumento legítimo e eficaz para a adoção de medidas excepcionais em razão da elevação de tarifas pelo governo dos Estados Unidos para produtos brasileiros. São sete medidas que podem ser avaliadas pelas empresas e sindicatos de trabalhadores para adoção:
– Redução proporcional da jornada e de salário;
– Suspensão temporária do contrato de trabalho (layoff);
– Antecipação de férias individuais e coletivas;
– Banco de horas anual;
– Teletrabalho;
– Antecipação de feriados;
– Escalas diferenciadas ou revezamento.
Ao mesmo tempo, a FIERGS segue em busca de soluções viáveis e equilibradas que conciliem a preservação dos empregos com a manutenção da competitividade industrial, sempre pautadas pelo diálogo construtivo. Assim, segue atuando junto ao governo federal para que novas medidas possam ser implementadas com esse objetivo.
FIERGS e federações de trabalhadores defendem negociação coletiva para preservar empregos após tarifas dos EUA
O Sistema FIERGS realizou, nesta sexta-feira (15), uma segunda reunião com CUT-RS, Força Sindical e federações de trabalhadores para tratar de impactos das tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros. Os participantes defenderam a negociação coletiva como forma de dar fôlego às indústrias gaúchas. Nesse caso, poderiam ser analisadas alternativas como antecipação de férias, utilização de feriados e banco de horas.
Além disso, as entidades laborais e patronais devem elaborar propostas mais robustas a serem apresentadas ao Ministério do Trabalho e Emprego. Entre as possibilidades levantadas na reunião, estão a suspensão de contratos de trabalho e a redução de salários com complementação por parte do governo federal, com adoção de jornadas reduzidas sem prejuízo à renda dos trabalhadores.
O coordenador do Conselho de Relações do Trabalho da FIERGS, Guilherme Scozziero, ressaltou que a meta, além de alinhar uma pauta comum com os trabalhadores, é mostrar às empresas que existem alternativas aos desligamentos. “Nossa ideia é atuar em conjunto para formatar uma proposta, pois não sabemos por quanto tempo esse impasse comercial vai durar. Queremos estimular a negociação coletiva e propor medidas concretas ao governo federal”, afirmou.
O coordenador do Comitê da Indústria de Base Florestal e Moveleira do Sistema FIERGS (Combase) e presidente do Sindimadeira RS, Leonardo De Zorzi, destacou a necessidade de enfrentar o desafio econômico, especialmente nos municípios menores, para que não ocorram desligamentos em massa. “Diferentemente das grandes cidades, os municípios menores muitas vezes dependem diretamente da atividade econômica exportadora, como o setor madeireiro. Já há relatos de demissões nesse segmento”, disse. Segundo ele, 2,5 mil empregos industriais e 350 postos na colheita estão ameaçados pelas tarifas.
Outro setor fortemente impactado é o calçadista, que emprega 32 mil pessoas no Rio Grande do Sul. Estima-se que cerca de 4 mil empregos estejam em risco. “O sapato exportado aos EUA é um produto de moda, desenvolvido especialmente para o consumidor americano. Não é possível redirecionar a produção com facilidade. Precisamos encontrar soluções para dar fôlego às empresas e evitar demissões”, destaca o diretor do CIERGS e presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do RS, Renato Klein.
Os representantes, tanto dos empresários quanto dos trabalhadores, também defenderam que as medidas propostas sejam direcionadas apenas às empresas diretamente afetadas pelas tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.
O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, informou que os sindicatos laborais também estão comprometidos na busca de soluções. “Ninguém sairá ileso. Precisamos defender políticas que mantenham os postos de trabalho. Podemos discutir a redução da jornada sem comprometer a renda, além de investir em qualificação para os trabalhadores”, relatou.




