Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Prêmio Futuro da Terra reconhece contribuições ao agronegócio e à preservação ambiental

Na noite de segunda-feira, 1° de setembro, o auditório da Casa da Farsul, na Expointer, recebeu a 29ª edição do prêmio O Futuro da Terra, promovido pelo Jornal do Comércio em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). A cerimônia reuniu autoridades, pesquisadores e representantes do setor agropecuário para reconhecer iniciativas que unem inovação tecnológica, desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental no campo.

Ao todo, 13 pessoas foram homenageadas em cinco categorias, destacando trajetórias que transformam o agro gaúcho e nacional em referência de competitividade e sustentabilidade. Com a presença do vice-governador Gabriel Souza, a entrega do prêmio é parte da programação oficial da 48ª Expointer.

“O Rio Grande do Sul é o Estado mais inovador do Brasil, e o prêmio O Futuro da Terra reforça esse protagonismo. Ao destacar pesquisadores, empreendedores e instituições comprometidos com a sustentabilidade, mostramos que nosso Estado está preparado para liderar os caminhos de um agronegócio mais competitivo e resiliente diante das mudanças climáticas”, ressaltou o vice-governador, que esteve acompanhado do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum.

O diretor-presidente do Jornal do Comércio, Giovanni Tumelero, recordou que o prêmio foi criado há 29 anos para destacar o trabalho de quem se dedica ao setor agropecuário. “É uma honra homenagear pessoas e instituições que, com dedicação e competência, vêm contribuindo com inovação, fortalecendo a produção agropecuária do Rio Grande do Sul e do Brasil. A pesquisa foi determinante para o desenvolvimento da agricultura, e por isso esse prêmio homenageia quem trabalha para expandir as cadeias produtivas”, disse.

Criado em 1987, o prêmio Futuro da Terra se baseia em critérios técnicos para a seleção dos agraciados. A indicação dos premiados ocorre pela participação dos meios público e privado, com atuação no agronegócio e da área de ciências agrárias de instituições do RS.

Agraciados

Prêmio Especial

  • José Miguel Reichert – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Cadeia de Produção 

  • Cláudio Wageck Canal – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Jorge Alberto Vieira Costa – Universidade Federal do Rio Grande (Furg)
  • Volmir Sergio Marchioro – UFSM/ Frederico Westphalen
  • Wilson Francisco Britto Wasielesky Jr. – Furg

Inovação e Tecnologia Rural

  • Juliano Smanioto Barin – UFSM
  • Marcia Maria Auxiliadora Naschenveng Pinheiro Margis – Ufrgs
  • Maurício Oliveira –  Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Preservação Ambiental

  • Fabricio Jaques Sutili – UFSM
  • Helen Treichel – Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
  • Luiz Antonio de Almeida Pinto –  Furg

Startup inovadora

ProspectaBio – TecnoPuc

Crops Team – UFSM

Alteração do clima gera desafios para o setor do agronegócio

Em tempos de discussões sobre as mudanças climáticas, torna-se indispensável repensar o modelo atual da agricultura, buscando soluções que permitam a adaptação do segmento e, ao mesmo tempo, contribuam para a mitigação dos impactos ambientais. O pesquisador de destaque em Solos e Ambiente, José Miguel Reichert, ressalta que a agricultura é, simultaneamente, vítima e causa das alterações no clima: sofre com a elevação das temperaturas, secas prolongadas, enchentes e eventos extremos, mas também é responsável por uma parcela significativa das emissões de gases de efeito estufa, pela mudança de uso da terra e degradação dos solos. Por seu trabalho, ele será agraciado com o prêmio especial O Futuro da Terra, promovido pelo Jornal do Comércio e pela Fapergs durante a Expointer. 

“Diante disso, adaptar a produção agrícola e desenvolver uma agricultura de baixo carbono são tarefas urgentes e estratégicas para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade”, defende Reichert, que também é agrônomo, mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), PhD pela Purdue University e professor titular da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Segundo ele, a adaptação da agricultura às mudanças climáticas requer a adoção de práticas sustentáveis e regenerativas. Técnicas como o plantio direto de qualidade, a rotação de culturas e a recuperação de áreas degradadas são fundamentais para melhorar a qualidade do solo, conservar a umidade e aumentar sua capacidade de armazenar carbono.

Além disso, acrescenta o pesquisador, sistemas como a integração lavoura-pecuária-floresta e sistemas agroflorestais contribuem para o sequestro de carbono, com promoção da biodiversidade e produtividade. “O manejo e conservação do solo e a gestão da água, quando realizados de maneira adequada, são essenciais para enfrentar períodos de estiagem e de enchentes”, frisa Reichert.

Para o desenvolvimento de uma agricultura de baixo carbono, ele argumenta que é necessário investir em inovação tecnológica, pesquisa e assistência técnica no campo. “Iniciativas como o Plano ABC+ (uma política pública que busca propagar as melhores ações de produção), por exemplo, incentivam práticas sustentáveis capazes de reduzir as emissões e aumentar a resiliência dos sistemas produtivos”, aponta o professor. Além disso, ele ressalta que a valorização da agricultura familiar e o fortalecimento de políticas públicas que promovam práticas ambientalmente corretas são igualmente importantes.

Outro ponto mencionado por Reichert é o uso de bioinsumos, a fixação biológica de nitrogênio e o manejo adequado dos resíduos da produção como alternativas viáveis para diminuir o impacto ambiental da atividade agrícola. O crescimento do mercado de carbono, a valorização de produtos sustentáveis no mercado internacional e os pagamentos por serviços ambientais representam caminhos reais para transformar o setor, avalia o pesquisador.

“Diante do cenário atual, é urgente implementar ações concretas que possibilitem uma agricultura mais resiliente, eficiente e ambientalmente responsável. O desafio não é apenas produzir mais, mas produzir melhor”, assinala o professor. Na agricultura familiar, ele complementa que a limitação da disponibilidade do crédito agrícola, dificuldade de acesso à tecnologia por parte dos pequenos produtores, carência de assistência técnica qualificada e adequada a esses sistemas de produção são obstáculos que precisam ser superados.

Conforme o professor, que cursou Agronomia com o objetivo de trabalhar em assistência técnica e extensão rural, pois pretendia contribuir para a melhoria das condições de vida de agricultores em condição similar à da sua família, a agricultura familiar e a produção agrícola em escala podem coexistir de forma complementar, desde que sejam estabelecidas estratégias que valorizem as especificidades de cada modelo. Ele enfatiza que a agricultura familiar desempenha um papel fundamental na segurança alimentar, na preservação da biodiversidade e na geração de emprego no meio rural, sendo caracterizada por produções diversificadas, voltadas principalmente para o consumo local e para mercados regionais.

No Brasil, informa Reichert, a agricultura familiar desempenha um papel estratégico, sendo responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos internamente, mesmo ocupando apenas 25% da área agrícola do País. Os agricultores familiares são fundamentais nas áreas de hortaliças, frutas, grãos (feijão, arroz, milho), aves, suínos e leite. Mesmo na cultura de soja, estima-se que a agricultura familiar seja responsável por cerca de 30% a 40% da produção no Brasil. “A convivência da agricultura familiar e da produção agrícola em escala é possível quando há políticas públicas que incentivem o acesso dos pequenos produtores a crédito, assistência técnica e canais de comercialização, além de promoverem práticas sustentáveis no agronegócio”, conclui o professor.

Foto: Tânia Meinerz/JC

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