Servidores da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) participaram como palestrantes no 18º Simpósio de Controle Biológico (Siconbiol), realizado de 14 a 18 de setembro em Gramado.
O coordenador do Plano ABC+RS, Jackson Brilhante, abordou o potencial de uso da Coleção de Rizóbios do Rio Grande do Sul como agentes de biocontrole. O Laboratório de Microbiologia Agrícola do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi) conta com uma coleção de mil estirpes bacterianas, de cerca de 200 plantas leguminosas, entre forrageiras, agrícolas e florestais.
“Muitos desses microrganismos, que foram selecionados para fixação biológica do nitrogênio, também têm a capacidade de biocontrole de doenças. É um acervo com um potencial ainda desconhecido em termos de benefícios além da fixação de nitrogênio”, destacou Jackson.
Em estudos recentes com o feijão, os pesquisadores do DDPA verificaram que algumas bactérias recomendadas para fixação do nitrogênio na cultura também conseguiram promover o controle de uma doença chamada sclerotium, causada por fungo. “Isso é um achado muito importante, pois além de economizar no fertilizante, o produtor pode ser benefíciado pelas bactérias no controle de doenças. É uma vantagem que o produtor, muitas vezes, não conhece”, complementa Brilhante.
Apesar de a utilização de bioinsumos vir se consolidando no Brasil, especialmente no cultivo da soja, o Plano ABC+ tem como objetivo ampliar a adoção dessas tecnologias, destaca Jackson. “Hoje temos, na cultura da soja, uma área inoculada abaixo de 60% no Rio Grande do Sul, enquanto a média nacional é de 85%. A estratégia para fomentar seu uso é através do treinamento e qualificação da assistência técnica, que é o elo entre a pesquisa e o produtor rural”, conclui.
Controle de besouros serradores em acácia-negra
A pesquisadora Rosana Matos de Morais, do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ceflor), de Santa Maria, apresentou resultados de um estudo realizado em parceria com o Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB).
“Essa pesquisa buscou entender como o tipo de paisagem ao redor das plantações de acácia-negra influencia a ocorrência de besouros serradores em plantios aqui no Rio Grande do Sul”, explica Rosana.
O estudo analisou dados de mais de 160 fazendas, monitoradas entre 2016 e 2020, avaliando fatores como idade dos bosques, temperatura e uso do solo ao redor das áreas.
“Identificamos que os besouros causam mais danos em locais mais quentes e em plantios mais jovens, além de se beneficiarem da proximidade com áreas agrícolas. Tais resultados podem auxiliar no melhor entendimento sobre a dinâmica do complexo dos besouros serradores, com vista ao manejo destes insetos em cultivos de acácia-negra no nosso estado”, detalha a pesquisadora.
Produtos biológicos na visão dos agricultores
A pesquisadora Gerusa Steffen, do Ceflor, foi mediadora, na quarta-feira (17/9), do painel “Visão dos produtores sobre o uso de produtos biológicos, vantagens e desafios”.
“Foi muito interessante discutir os benefícios e os desafios do uso de bioinsumos com representantes dos setores envolvidos no uso destas ferramentas, que são os agricultores, a extensão rural, os pesquisadores e as empresas que desenvolvem as tecnologias e produzem os bioinsumos”, complementa Gerusa.
A pesquisadora pontua que cada painelista expôs a sua realidade, apontando os desafios na sua área de atuação. “A partir das discussões, ficou clara a necessidade de cada vez mais haver a aproximação dos setores de ciência e inovação com a assistência técnica e os produtores rurais, visando a solução das dificuldades atuais e a ampliação da adoção de ferramentas de controle biológico de pragas e doenças de plantas”, frisa.




