O projeto do Porto Meridional, que avança em Arroio do Sal, no Litoral Norte gaúcho, apresenta grande potencial para aprimorar a logística e impulsionar os investimentos no Rio Grande do Sul. Essa foi a avaliação predominante na reunião-almoço do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) do Sistema FIERGS, realizada nesta sexta-feira (12), com a participação do senador Luis Carlos Heinze. A iniciativa contará com aportes privados da ordem de R$ 6,5 bilhões e terá capacidade para operar 53 milhões de toneladas por ano. A expectativa é que as audiências públicas sobre o empreendimento tenham início no primeiro semestre de 2026.
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destacou que o desenvolvimento do projeto do porto ocorre graças à “força e mobilização da sociedade gaúcha” e que logística é uma prioridade para todas as regiões. “O empreendimento atende à demanda do setor industrial por mais investimentos em infraestrutura – tema que surge como prioridade em nossas reuniões do Rota FIERGS, que promove a interiorização da Federação. Em todas as regiões, essa necessidade é evidente. Cada progresso no projeto é uma vitória que nos aproxima do início das obras”, afirmou.
A mobilização em prol do Porto Meridional não compromete, na visão do presidente, o apoio da FIERGS ao Porto de Rio Grande, na região Sul. “Estamos abrindo escolas do Sesi e do Senai na região para qualificar a mão de obra na cidade de Rio Grande, mas entendemos que o Estado precisa, sim, contar com mais de um porto”, afirmou, destacando, a título de comparação, a quantidade de portos existentes em Santa Catarina (sete em operação).
O senador Heinze ressaltou que a falta de investimentos em infraestrutura prejudica a produtividade dos industriais e dos produtos gaúchos, ainda que os empresários sejam muito eficientes “da porteira para dentro”. “Temos o pior custo logístico do Brasil. No Porto Meridional, observamos uma grande obra que vai impulsionar o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. É fundamental que tenhamos lideranças que compreendam a importância do projeto para o Estado”, ponderou. Após as audiências públicas, a previsão é de que a licença prévia seja concedida no segundo quadrimestre do próximo ano.
O coordenador do Conselho de Articulação Política (Coap), Diogo Paz Bier, afirmou que o projeto está alinhado com os pilares da FIERGS. “Precisamos de competitividade, e o porto atende exatamente a essa necessidade. Estamos aqui para contribuir e acelerar esse processo”, afirmou. Já o coordenador do Conselho de Infraestrutura, Ricardo Portella, complementou dizendo que o Porto de Arroio do Sal não é apenas uma obra de infraestrutura, mas uma questão estratégica para a expansão e a resiliência da capacidade logística, podendo fortalecer as exportações do Estado. “Sempre apoiamos essa ideia. O Rio Grande do Sul possui vocação para o mercado externo, com uma indústria robusta, diversificada e responsável por colocar o Estado entre os maiores exportadores do país. Cerca de 84% dos produtos são exportados pelo modal marítimo”, destacou.
O business development da DTA Engenharia – empresa responsável pelo projeto –, Daniel Kohl, explicou que os estudos foram realizados para minimizar os impactos negativos e potencializar os positivos. “O porto vai gerar empregos e aumentar a arrecadação municipal, contribuindo para o desenvolvimento da região”, afirmou. Ele também ressaltou a vantagem estratégica da localização do novo porto, próximo à Serra Gaúcha, área que concentra grande parte da produtividade industrial do Estado, além do potencial de modernização do terminal. “O Brasil ainda não dispõe de infraestrutura para embarcações de grande porte. O Porto de Arroio do Sal terá essa capacidade”, constatou.
Foto: Dudu Leal/Fiergs
Fonte: Fiergs




