Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Artigo – O impacto social do setor de árvores cultivadas

Por Ludimila Grechi Campostrini
Especialista em Certificação, Recursos Hídricos, Social e Finanças Sustentáveis da Ibá

Conhecemos bem os números que mostram a potência do setor de árvores cultivadas para a geração de riquezas em nosso país. Lemos na imprensa sobre os US$ 15 bilhões exportados em produtos florestais, os R$ 240 bilhões de receita bruta gerada por nossa indústria e os mais de R$ 90 milhões em investimentos previstos para os próximos anos. Mas há uma importante convicção por trás desses dados, que norteia as estratégias das empresas associadas à Ibá: o desenvolvimento só é verdadeiro quando é compartilhado.

A atuação do setor brasileiro de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração está associada a melhores indicadores de renda, educação e desenvolvimento sustentável em diversas cidades do Brasil. Essa evidência é sustentada por levantamento realizado pela consultoria ESG Tech, que cruzou dados de municípios onde o setor está presente com indicadores como PIB per capita, Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e o IDSC (Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades). Os resultados mostram um padrão consistente de desempenho superior à média nacional.

De acordo com o estudo, os municípios com atuação do setor registram um PIB per capita quase 30% acima da média brasileira. Em 2024, enquanto o PIB per capita nacional foi de aproximadamente R$ 57 mil, nessas localidades o valor chegou a R$ 73 mil.

Os indicadores de desenvolvimento sustentável reforçam esse cenário. Em 2024, esses municípios alcançaram média de 50,2 pontos no IDSC, desempenho 7,5% superior à média nacional, que foi de 46,7 pontos. O índice considera os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e os municípios da cadeia Ibá superam a média brasileira em 12 deles. Destacam-se especialmente os objetivos relacionados à água potável e saneamento, energia limpa e acessível, vida na água, trabalho decente e crescimento econômico.

Na educação, os resultados também são consistentes. Considerando o Ideb, os municípios com presença do setor apresentam desempenho 10% acima da média nacional. Trata-se de um indicador-chave para medir o acesso à educação de qualidade, a permanência dos alunos nas escolas e o avanço no aprendizado.

Esses dados, consolidados no Relatório Anual da Ibá, disponível em nosso site, refletem a eficácia dos programas sociais desenvolvidos pelas empresas associadas e do engajamento contínuo com comunidades locais e tradicionais. Para alcançar tais resultados, o setor atua de forma integrada sobre pilares centrais da responsabilidade social: geração de emprego, formação e capacitação profissional; desenvolvimento territorial; gestão de impactos; proteção dos direitos humano; e promoção da diversidade, equidade e inclusão.

Atualmente, o setor emprega 2,8 milhões de pessoas direta e indiretamente. Para assegurar qualidade de vida e perspectivas de futuro, as empresas investem no desenvolvimento de parcerias e na melhoria do ensino público local, formam profissionais para operações industriais e florestais, capacitam jovens em situação de vulnerabilidade social e povos tradicionais para o mercado de trabalho e promovem programas de mentoria, desenvolvimento acelerado e boas práticas para novos líderes. Também dão preferência a empregar pessoas e contratar fornecedores das comunidades em que estão inseridas.

Projetos sociais do setor são definidos de forma colaborativa, respeitando as potencialidades, necessidades e identidades culturais locais, com a destinação de recursos a iniciativas que promovem a melhoria das condições de vida e o fortalecimento das comunidades nos territórios onde o setor atua. Entre os projetos temos iniciativas de extrativismo sustentável, reciclagem, fomento florestal, produção de mel, restauração ecológica e agricultura familiar. O apoio acontece por melhorias de infraestrutura, capacitação em gestão e comercialização, fortalecimento institucional e assistência técnica.

A promoção de diversidade, equidade e inclusão também é prioridade. Hoje, 71% das empresas do setor possuem metas relacionadas ao tema, e, em alguns casos, essas metas estão vinculadas à remuneração variável da liderança. Há grupos de afinidade, programas de aceleração de carreira e sucessão para mulheres e pessoas negras, ações afirmativas na divulgação de vagas e treinamentos voltados à inserção de mulheres em funções historicamente masculinas, como operações industriais e florestais.

A gestão antecipada, proativa e permanente de impactos completa esse conjunto de ações. O diálogo estruturado com colaboradores e stakeholders, bem como o mapeamento contínuo de riscos e oportunidades são fundamentais para garantir a legitimidade social do negócio. Atualmente, 100% das empresas associadas contam com mecanismos formais para receber queixas e sugestões, fortalecendo a transparência e a confiança. Esse engajamento permite identificar em que casos as ações estão sendo positivas e o que é preciso melhorar.

Há, naturalmente, desafios pela frente no campo social. A demanda por mão de obra ainda supera a capacidade dos programas de formação. A presença de mulheres em cargos de liderança, especialmente nas áreas florestais e industriais, precisa avançar, com intensificação no treinamento relacionado a vieses inconscientes. E o diálogo com a sociedade exige o esforço permanente de superar estigmas e construir relações duradouras baseadas em confiança e informação.

Ainda assim, é notável que os impactos do setor vão além de suas fronteiras refletindo-se na educação, geração de renda e ampliação de oportunidades para as pessoas. Quando o crescimento econômico caminha junto com o desenvolvimento social, o impacto se multiplica — e o futuro se constrói de forma mais justa, inclusiva e sustentável.

Publicado em Revista O Papel, reproduzido por Ibá