Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Artigo – Segurança jurídica e desenvolvimento sustentável

Por Daniel Chies, presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor)

O Rio Grande do Sul tem diante de si uma oportunidade concreta de impulsionar sua economia com base na cadeia produtiva de base florestal, um setor que já demonstrou, ao longo de décadas, sua capacidade de gerar emprego, renda e ampliar significativamente a arrecadação de diversos municípios.

O Projeto Natureza da CMPC para Barra do Ribeiro é sem dúvidas o maior investimento industrial em curso no Estado, com potencial de chegar a R$ 27 bilhões e 12 mil pessoas trabalhando nas obras.

Projetos assim, conduzidos dentro dos marcos legais e com elevado rigor técnico, representam também a dinamização de economias locais, a ampliação de oportunidades no interior e no campo, fortalecendo uma matriz produtiva alinhada à sustentabilidade.

Nesse contexto, causa preocupação a recorrente insegurança jurídica que passa a cercar iniciativas dessa natureza. A ampliação de exigências no curso de processos de licenciamento, mesmo quando as etapas previstas na legislação estão sendo cumpridas, gera incertezas que afetam diretamente o ambiente de negócios e a confiança de quem investe.

Não se trata de relativizar direitos ou de reduzir a importância do diálogo social. Ao contrário: o setor florestal é reconhecido justamente por conciliar produção com conservação ambiental e respeito às comunidades. O que se defende é a previsibilidade, uma condição essencial para qualquer decisão de investimento de longo prazo.

O RS não pode se dar ao luxo de perder oportunidades que combinam desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental. A interrupção ou o adiamento indefinido de projetos dessa magnitude impacta não apenas empresas, mas cadeias inteiras de fornecedores, trabalhadores e municípios.

Garantir segurança jurídica é, portanto, garantir desenvolvimento. É assegurar que o Estado siga sendo competitivo, atraente e capaz de transformar seu potencial em prosperidade concreta para sua população.

Artigo publicado no jornal Zero Hora em 10/04/2026.