Artigo: A reciclagem e o desafio de construir uma economia mais circular
Por Leandro Farina, Gerente de Saúde, Segurança, Qualidade e Sustentabilidade da Irani Papel e Embalagem
A discussão sobre sustentabilidade passa, inevitavelmente, pela forma como a sociedade produz, consome e reaproveita recursos. Nesse contexto, é imperativo ampliarmos práticas que estimulem a economia circular e reduzam os impactos ambientais das atividades produtivas.
O setor de papel e embalagens tem papel estratégico nessa transformação. O papel apresenta alto potencial de reaproveitamento, já que as fibras retornam ao ciclo produtivo diversas vezes antes do descarte final. Isso contribui diretamente para a redução de resíduos e para o uso mais eficiente dos recursos naturais.
O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário. É atualmente o sétimo maior produtor de papel do mundo e o sexto maior produtor de papelão ondulado. Tão importante quanto a produção são os índices relevantes de reciclagem apresentados pelo país. Segundo dados da Empapel, cerca de 58% do papel produzido no Brasil retorna para reciclagem, enquanto, nas embalagens de papel, esse índice chega a aproximadamente 64,9%.
Na Irani, a reciclagem integra o modelo de negócio e está diretamente conectada à estratégia de sustentabilidade da companhia. Em Santa Luzia (MG), toda a produção de papel da unidade é baseada em fibras recicladas. Já na unidade de Campina da Alegria, em Vargem Bonita (SC), aproximadamente 70% da produção utiliza aparas recicladas como matéria-prima.
Por trás desse processo existe uma cadeia ampla, que envolve cooperativas de reciclagem, catadores, transportadores, aparistas e empresas responsáveis pela coleta e separação dos materiais descartados por supermercados, estabelecimentos comerciais e consumidores. É um sistema que une eficiência industrial, responsabilidade ambiental e impacto social.
A utilização de fibras recicladas reduz a necessidade de extração de matéria-prima virgem, contribui para diminuir a destinação de resíduos aos aterros e fortalece a circularidade dos materiais. Ao mesmo tempo, movimenta a economia e gera renda para milhares de famílias em todo o país, especialmente para trabalhadores que atuam na base da cadeia de coleta e triagem.
Mais do que atender a uma demanda ambiental, investir em reciclagem representa uma escolha estratégica alinhada às transformações globais. Empresas que incorporam práticas sustentáveis aos seus processos produtivos ampliam sua competitividade, fortalecem a inovação e atendem às expectativas de consumidores cada vez mais atentos à responsabilidade socioambiental das marcas.
Os desafios ambientais atuais exigem ações concretas e permanentes. A reciclagem deixa de ser apenas uma alternativa importante e se consolida como uma necessidade para a construção de um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, eficiente e sustentável.
Fonte: Portal Packaging




