Valor Inovação: Irani e CMPC impulsionam inovação para aumentar eficiência no setor de papel e celulose
A velocidade das transformações tecnológicas e de mercado tem exigido das empresas de papel e celulose uma cultura de inovação consistente para antecipar oportunidades e reforçar a eficiência operacional. De acordo com notícia do jornal Valor Econômico, companhias do setor, como a Irani e a CMPC, vêm investindo na capacitação interna, inteligência artificial e integração florestal para otimizar seus processos. A matéria trata sobre as empresas do setor presentes no Prêmio Valor Inovação Brasil 2026.
“A velocidade das mudanças hoje exige mais das empresas em relação à inovação, com cultura disseminada para todos estarem aptos a capturar sinais fracos capazes de gerar oportunidades de negócios”, avalia o CEO da Irani, Odivan Cargnin.
Sensorização e inteligência artificial na Irani
A estratégia da Irani combina o fortalecimento das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) com a inovação aberta realizada pelo programa Irani Labs. Um dos focos centrais é a sensorização de equipamentos industriais para a captação de dados, iniciativa inserida no pacote Gaia, de R$ 1,8 bilhão, focado na expansão e otimização das plantas. O ciclo seguinte de investimentos, denominado Neos, prevê novas unidades de embalagem e ampliação da capacidade de conversão e uso de papel reciclado.
A liderança da empresa também passou por capacitação em inteligência artificial (IA), tecnologia que será aplicada no desenvolvimento de novas embalagens e papéis. O CEO da Irani, Odivan Cargnin, utiliza inclusive um gêmeo digital pessoal, o Brain, para apoiar o planejamento estratégico. Entre os projetos práticos já implementados pela companhia estão o desenvolvimento de embalagens em parceria com clientes — como os saquinhos de coleta de cápsulas para a Nespresso — e a alteração do layout da planta de reciclagem de plástico em 2023, otimizando o reaproveitamento do material.
Integração florestal e inovação focada na CMPC
Na CMPC, a criação de uma diretoria dedicada à inovação há quatro anos expandiu a equipe da área para cerca de 100 profissionais, incluindo atuação na China e na Europa. A empresa obteve avanços ao aproximar o planejamento florestal da operação industrial: ao mapear a madeira que será colhida ao longo do ano, a fábrica consegue antecipar a preparação dos equipamentos e alcançar maior precisão nas formulações.
Após priorizar aportes via venture capital em startups voltadas a novos usos da biomassa, a CMPC redirecionou o foco da inovação aberta para os desafios centrais do seu negócio (core business), buscando soluções de mercado para a predição e redução de falhas industriais. Entre as próximas etapas da área, a companhia planeja desenvolver pesquisas para uma “vacina” voltada à proteção dos plantios.
Dexco em segundo no ranking da construção
A segunda colocada no Valor Inovação Brasil 2026, a Dexco, detentora de marcas como a Duratex e Durafloor, direciona mais de 5% da sua receita líquida para inovação. Conta com 45 colaboradores totalmente dedicados a essa frente de trabalho e 230 parcialmente dedicados, relata Elisa Shimao, diretora de TI e serviços compartilhados.
“Tratamos o tema como parte da estratégia corporativa, e não como uma agenda paralela ou eventual. A inovação está conectada à eficiência operacional, transformação digital, sustentabilidade, desenvolvimento de portfólio, alocação de capital e relacionamento com o mercado”, indica.
Com esse foco, a companhia teve como um dos lançamentos mais recentes o Eucaflow, sistema em prova de conceito que usa visão computacional e inteligência artificial embarcada para irrigação mecanizada de mudas de eucalipto. “O principal foi transformar problemas reais do negócio em soluções mensuráveis, testar com parceiros, corrigir rota rapidamente e escalar apenas aquilo que comprova valor técnico, financeiro e operacional”, afirma Shimao.
As propostas inovadoras da Dexco resultam de diversos programas, incluindo o de intraempreendedorismo imagine, que, em dez anos, acumulou R$ 311,72 milhões em valor validado; o de inovação aberta Open Dexco, que exibe R$ 6,1 milhões por ano em potencial de ganho; o fundo de corporate venture DX Ventures, com mais de R$ 175 milhões totais investidos em quatro startups, e o de inovação voltado a fornecedores Open Supplier, em modo piloto em seu primeiro ciclo, com R$ 190 mil para uso.
12ª edição do prêmio “Valor Inovação Brasil”
Realizada pelo Valor e pela Época Negócios, a pesquisa anual analisou cerca de 540 cases de 270 empresas para definir o ranking das 150 companhias mais inovadoras do Brasil em 26 setores da economia. A metodologia avalia a criação de valor em novos produtos, serviços e modelos de negócios por meio de uma nota final baseada em quatro pilares: planejamento (estratégia, cultura e valores), práticas adotadas (processos, governança, pessoas, recursos e tecnologia), resultados atingidos e reconhecimento (citações e pedidos de patentes).
Foto: Luan Rambo/Divulgação
Fonte: Valor Econômico




