Artigo: O prejuízo invisível
Por Francisco Turra, consultor de agronegócio e ex-ministro de Agricultura
Há poucos dias, em um evento empresarial, ouvi de um importante dirigente do setor de proteína animal uma frase que ficou comigo. Ao falar sobre ampliar investimentos no Rio Grande do Sul, ele resumiu sua resistência: “Além de todos os problemas, agora ainda tem temporal, vendaval, destruição”. E acrescentou outra preocupação: “(…) e vocês ainda judicializam tudo”.
A frase é dura, mas traduz uma percepção que começa a se formar fora daqui. E percepção também pesa nas decisões de investimento. O Rio Grande do Sul já convive com dificuldades conhecidas de infraestrutura e logística. Agora, os eventos climáticos e a judicialização ideológica passaram a integrar a avaliação de risco de quem decide onde investir. Precisamos adaptar infraestrutura, produção e planejamento a uma realidade que mudou.
O clima não está sob nosso controle. Mas a forma como reagimos a ele está. Precisamos adaptar infraestrutura, produção e planejamento a uma realidade que mudou. E valorizar setores capazes de conviver melhor com essas novas condições.
A cadeia florestal é um deles. Por isso, o Projeto Natureza, da CMPC, merece atenção. São cerca de R$ 27 bilhões previstos em investimentos, com geração de milhares de empregos e forte impacto sobre a economia gaúcha.
É preciso perceber que a controvérsia em torno do projeto já produz prejuízos ao Rio Grande do Sul, mesmo que eles nem sempre sejam visíveis. Quando um empresário, a centenas de quilômetros daqui, cita a judicialização como uma das razões para hesitar em investir no Estado, o dano deixou de ser uma hipótese.
Naturalmente, um projeto desse porte deve cumprir a legislação, respeitar comunidades e atender às exigências ambientais. Mas questões que podem ser resolvidas com diálogo e técnica não deveriam se transformar em longos impasses.
Investimentos de longo prazo precisam de previsibilidade, confiança e segurança para planejar.
Não podemos controlar todos os riscos. Mas podemos evitar a criação de novos. Desenvolvimento exige responsabilidade e diálogo. Está nas nossas mãos construir o ambiente que nos levará a um futuro cada vez melhor.
Fonte: GZH




