Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Braspell investirá R$ 350 milhões na 1ª etapa de projeto em Pinheiro Machado

Braspell investirá R$ 350 milhões na 1ª etapa de projeto em Pinheiro Machado

Depois de pelo menos oito anos de projetos, mudanças de escala e revisões no modelo industrial, a Braspell Bioenergia prepara uma nova configuração para o complexo previsto em Pinheiro Machado, na Campanha gaúcha. A empresa chegou a projetar R$ 1,4 bilhão para uma estrutura de maior porte, mas prevê agora uma primeira etapa de R$ 350 milhões, com serraria, fábrica de pellets de madeira, logística e fomento florestal.

Novos investimentos estão previstos conforme a produção for ampliada. A implantação, porém, ainda depende da Licença de Instalação (LI), em análise na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

O projeto atual, do empresário Luiz Eduardo Batalha, prevê capacidade para produzir 120 mil metros cúbicos de madeira serrada e 200 mil toneladas de pellets por ano. Segundo o CEO da Braspell, Guilherme Batalha, as tábuas serão destinadas a uma empresa australiana que atende clientes em diferentes mercados. Os resíduos gerados pela serraria serão transformados em pellets – pequenos cilindros de biomassa compactada – destinados ao mercado europeu de aquecimento residencial.

A combinação das atividades é um dos fatores que dão relevância ao projeto para a cadeia florestal da região, avalia Junior Haas, vice-presidente de Produção Industrial e Arranjos Produtivos da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor). Segundo ele, a escala é considerável para os padrões das serrarias gaúchas e pode alterar a dinâmica da silvicultura no entorno de Pinheiro Machado.

O modelo permite aproveitar diferentes partes da matéria-prima. A madeira de maior valor pode ser serrada para usos como construção, móveis e embalagens, enquanto cavacos, serragem e outros resíduos alimentam a produção de pellets. Haas observa que isso é especialmente importante em uma região com pouca demanda industrial por biomassa.

“Quando você tem uma serraria, inevitavelmente produz biomassa. Se não há quem consuma, isso vira um problema. Com a planta de pellets, transforma-se um produto de baixo valor em outro processado, que tem um mercado internacional bastante forte”, explica.

A Braspell informou manter relações ou contratos envolvendo cerca de 45 mil hectares de florestas plantadas. Haas avalia que, para alcançar os 120 mil metros cúbicos anuais de madeira serrada, seria necessário um volume de matéria-prima muito inferior ao representado por essa base florestal.

A instalação da indústria também pode estimular novos plantios. Além de Pinheiro Machado, Haas aponta uma área potencial de fornecimento que alcança municípios como Jaguarão, Dom Pedrito, Caçapava do Sul e Pelotas. A proximidade com o Porto do Rio Grande favorece uma produção voltada principalmente à exportação.

O empreendimento vem sendo acompanhado pela Invest RS. Em material de prospecção de investimentos divulgado em dezembro de 2025, a agência estadual apresentava a planta entre oportunidades oferecidas a investidores e parceiros estratégicos. A Invest RS também participou, em agosto, de reunião entre Braspell e Fepam sobre o licenciamento.

O pedido de LI tramita desde julho de 2023. A Braspell informou ao Jornal do Comércio que considera a licença em fase final de análise. A Fepam, porém, confirmou que o processo segue em avaliação e informou que deverá emitir, nos próximos dias, um ofício solicitando novas complementações ao empreendedor antes de uma eventual concessão.

A fundação confirmou que o processo atual contempla serraria e fabricação de pellets. As capacidades registradas são de 10 mil metros cúbicos mensais de madeira serrada e 18 mil toneladas mensais de pellets.

Em reunião de agosto, a Fepam havia informado que a análise do meio biótico estava concluída, mas ainda havia questões relacionadas a manejo de vegetação, compensação ambiental por intervenção em Área de Preservação Permanente (APP) e eventual lançamento de efluentes industriais. Não há prazo informado para conclusão da LI.

Projeto atual é menor que o original

O empreendimento remonta pelo menos a 2018, quando a empresa ainda utilizava o nome Pellco. Naquele ano, recebeu Licença Prévia (LP) para um complexo estimado em R$ 1 bilhão, com capacidade para 900 mil toneladas anuais de pellets e cogeração de 50 megawatts (MW) de energia.

A LP, emitida em julho de 2018, está vencida, mas, segundo a Fepam, isso não representa obstáculo porque a LI foi solicitada durante sua validade. A termelétrica também não integra mais a etapa em licenciamento.

O projeto passou por outras revisões. Segundo Guilherme Batalha, uma configuração posterior chegou aos R$ 1,4 bilhão, com capacidade de 600 mil toneladas anuais de pellets, termelétrica de 50 MW, terminal portuário e logística. Os R$ 350 milhões previstos agora correspondem à primeira etapa.

A redução de escala não encerra os planos de expansão. A Braspell projeta chegar futuramente a 1,2 milhão de toneladas de pellets por ano. Segundo Guilherme, nesse patamar haveria resíduos suficientes para viabilizar a termelétrica de 50 MW, que exigiria outros US$ 120 milhões. O valor não inclui os investimentos necessários para ampliar a produção de pellets e a usina precisará de licenciamento ambiental próprio.

A empresa não apresentou projeção atualizada de empregos. Em 2018, quando o empreendimento tinha configuração muito maior, estimava 1,5 mil postos durante as obras e 1,2 mil na operação.

Consultada, a Prefeitura de Pinheiro Machado informou que, até o momento, não há informação ou protocolo apresentado pelo empreendedor junto ao município.

Fonte: Jornal do Comércio