Produção e preservação reforçam potencial da nova economia
O aumento da demanda mundial por alimentos e a necessidade de enfrentar a crise climática com ações alinhadas com a transição energética colocam o Brasil e o Rio Grande do Sul em evidência.
Isso acontece porque, hoje, o desenvolvimento econômico e a preservação do planeta dependem de dois aspectos essenciais: a inovação e a sustentabilidade.
Nesse contexto, os participantes do Campo em Debate, dedicado ao tema, realizado na Casa da RBS, durante a Expointer, na quarta-feira (2), apresentaram uma lista de atributos que credenciam o País e o Estado a liderarem esse movimento.
Capacidade para ampliar a produtividade no campo, combinada com iniciativas de descarbonização, novas tecnologias e matérias-primas menos agressivas ao meio ambiente são alguns dos trunfos apontados.
– É possível, com uma mão, produzir e, com a outra mão, preservar – declarou o economista e presidente-executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Paulo Hartung. A afirmação é amparada por resultados. Ele lembra que o país se tornou o maior exportador mundial de celulose.
A participação gaúcha, que conta com a planta da CMPC, afirma, é fundamental para que a produtividade média das florestas cultivadas tenha saltado de 10 metros cúbicos por hectare/ano para 33 metros cúbicos por hectare/ano em um período de cinco décadas.
Esse, segundo ele, é apenas um dos exemplos da combinação de ciência, pesquisa, desenvolvimento de espécies e tecnologia aplicada que faz com que o Brasil plante cerca de 2,2 milhões de árvores por dia. Além de fornecer matéria-prima renovável para produtos como celulose e viscose, ele explica que as florestas cultivadas sequestram e armazenam carbono.
Apenas na indústria de celulose, o Brasil alcançou 30 milhões de toneladas de produção, das quais cerca de 22 milhões são exportadas. E os números, argumenta, tendem a aumentar, uma vez que projetos, dentre os quais a expansão da CMPC, formam uma carteira de investimentos setorial superior a R$ 80 bilhões para os próximos três anos.
– O RS já conta com uma base de florestas cultivadas da ordem de 1 milhão de hectares. O mundo precisa descarbonizar. A bola está no nosso pé. Só precisamos aproveitar a oportunidade e o momento, sem repetir os erros do passado – complementa, ao lembrar que o uso da matéria-prima de florestas cultivadas é destinado a manufatura de produtos de madeira sólida, para a indústria do agronegócio, abastecimento das plantas de biomassa e de biodiesel, em uma cadeia que emprega mais de 5 mil famílias diretamente.
Momento favorável
Presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes endossa o diagnóstico promissor. Ele reforça que o país já alimenta aproximadamente 15% da população mundial. Até 2030, deverá responder por 25%, em razão do crescimento populacional de países como China e Índia. Ao chamar a atenção o momento favorável aos biocombustíveis, constatou que os potenciais nascem de um equilíbrio entre sustentabilidade e inovação que necessita ser melhor comunicado ao mundo.
Na avaliação do presidente da Federasul, Rodrigo Souza Costa, entretanto, para que essas perspectivas se materializem, ainda é necessário superar obstáculos que, segundo ele, atrapalham o potencial econômico e ambiental. Isso porque, apesar de condições “excepcionais” — garantidas pela vocação agropecuária, a preservação de mais de 60% da vegetação nativa e a existência de uma matriz energética com 87% de fontes renováveis — existem deficiências logísticas e regulatórias.
Como exemplo, ele menciona a geração eólica que encontra ambiente mais favorável no Estado, todavia, diz, os investimentos acabam sendo direcionados ao Nordeste, devido à existência de mecanismos e subsídios para os financiamentos.
Fonte: GZH




