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Parceria entre UFSM e SETA fortalece programa de melhoramento genético da acácia-negra

Parceria entre UFSM e SETA fortalece programa de melhoramento genético da acácia-negra

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a SETA S/A Extrativa Tanino de Acácia firmaram um novo acordo de parceria para dar continuidade ao projeto “Melhoramento genético de acácia-negra”. Desenvolvida há mais de dez anos pelas instituições, a iniciativa busca aumentar a produtividade e a qualidade da madeira e do tanino, além de avançar na produção de sementes e mudas melhoradas e no desenvolvimento de cultivares clonais da espécie.

Coordenado na UFSM pelo professor Dilson Antônio Bisognin, do Departamento de Fitotecnia, o programa teve origem em uma demanda da própria empresa e utiliza como base materiais genéticos provenientes da Austrália, região de origem da acácia-negra. Ao todo, 155 procedências foram introduzidas e estabelecidas a campo para avaliação. A partir delas, foram identificadas plantas mais adaptadas às condições de cultivo no Brasil, que passaram a integrar as populações utilizadas no programa de melhoramento.

Segundo Bisognin, uma das particularidades do trabalho é justamente seu caráter contínuo. Diferentemente de pesquisas voltadas à solução de uma demanda pontual, o melhoramento genético exige sucessivos ciclos de avaliação e seleção e acompanha novas necessidades que surgem ao longo do tempo. “Um programa de melhoramento é contínuo. Ele não acaba, porque sempre tem novas demandas”, explica o pesquisador.

Nos primeiros anos, um dos principais desafios foi identificar, entre os materiais trazidos da Austrália, aqueles capazes de se adaptar às condições brasileiras. Com essa base estabelecida, o programa passou a avaliar características relacionadas às necessidades dos produtores e da indústria, como crescimento das árvores, produtividade e qualidade da madeira e do tanino.

Outra frente do projeto é a propagação por miniestaquia, técnica que utiliza pequenos brotos de plantas selecionadas para produzir mudas geneticamente iguais à planta de origem. O processo permite multiplicar materiais que apresentam características consideradas superiores e pode contribuir para o desenvolvimento de cultivares clonais de acácia-negra, ainda indisponíveis no mercado.

Entre as ações previstas para a continuidade do programa estão a seleção de plantas para produtividade e qualidade da madeira e do tanino, o trabalho com materiais tolerantes à geada, a produção de sementes e mudas melhoradas e o estabelecimento de novos pomares de sementes.

Resultados e impactos

Parte dos resultados do melhoramento já pode ser observada nas áreas de cultivo da SETA. Edu Rech, engenheiro florestal da empresa e egresso da UFSM, acompanha o projeto desde que ingressou na SETA, em 2017. “Hoje a gente consegue visualizar em campo uma diferença significativa no crescimento inicial dessas árvores”, afirma.

Outro resultado é a formação de um banco de germoplasma, que conserva a diversidade genética utilizada nos ciclos de seleção. Para Rech, esse material é especialmente importante por reunir uma variabilidade que não está presente da mesma forma nos plantios comerciais do país. Bisognin destaca que essa reserva genética também amplia as possibilidades de resposta a futuras demandas do programa de melhoramento. 

A parceria também aproxima a pesquisa desenvolvida na Universidade das atividades realizadas no campo. A UFSM atua na coordenação técnica e científica do programa, enquanto a SETA disponibiliza recursos, áreas, mão de obra e estrutura para a execução das atividades. A Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC) é responsável pela gestão administrativa e financeira dos recursos.

Essa integração também contribui para a formação de estudantes. Segundo Bisognin, o programa permite que alunos de graduação e pós-graduação participem de atividades de melhoramento em condições reais de cultivo. Rech, que também é egresso da UFSM, avalia que a experiência favorece uma construção conjunta de conhecimento entre Universidade e empresa. “Tem muitas coisas que são novidades, muitas coisas que vão surgindo de desafios ao longo do projeto. Então, tudo vai gerando conhecimento e aprendizado”, afirma Rech.

O alcance do programa também se estende aos produtores atendidos pela SETA. Segundo Rech, a empresa mantém um programa de fomento de aproximadamente 10 milhões de mudas por ano, que atende desde produtores que recebem 200 ou 300 mudas até propriedades de maior porte.

A continuidade da parceria permite, assim, manter os ciclos de seleção e aprimoramento da acácia-negra e aproximar o conhecimento produzido na Universidade das demandas da empresa e dos produtores envolvidos na cadeia produtiva da espécie.

Fonte: UFSM