Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Não é hora de ter receio de percorrer outras rotas, diz Ibá sobre resistência florestal

Não é hora de ter receio de percorrer outras rotas, diz Ibá sobre resistência florestal

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) disse que o setor atravessa um momento em que deve avançar nas fronteiras de biotecnologia. Segundo Paulo Hartung, presidente da entidade, as mudanças climáticas, um dos principais desafios do setor na visão dele, têm afetado diretamente a resiliência de florestas que abastecem o setor de celulose e papel e se tornado desafio prioritário.

“É bonita a trajetória que fizemos de melhoramento genético e de clonagem. Dá para avançar nessas rotas? Dá, mas não estamos na hora de ter receios de percorrer outras rotas. Está na hora de estudarmos as biotecnologias, conversar, convencer, articular inclusive as nossas boas agências internacionais”, disse o dirigente nesta terça-feira (6), na abertura do Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, promovido pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).

Hartung disse que outro desafio para o setor é a necessidade de mão de obra qualificada. O dirigente ressaltou que o setor vive ciclo de expansão que exige formação de capital humano. “É ter capacidade de formar novos profissionais para esses novos tempos que estamos vivendo, de revolução tecnológica impactante no mundo, que muda tudo. Muda pela digitalização, pela inteligência artificial e precisamos de gente. Esse é o maior desafio do setor.”

Citou como exemplo de investimentos desse ciclo a inauguração da fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS), tida como a maior fábrica de celulose de linha única do mundo, e a construção do projeto da Arauco em Inocência (MS), que ele disse mobilizar 16 mil trabalhadores para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose.

Hartung citou ainda o projeto da chilena CMPC no Rio Grande do Sul, que ele disse ter avançado.

O presidente da Ibá ainda disse que infraestrutura é outro gargalo no setor. Afirmou que superar desafios em rodovias, portos, ferrovias e conectividade rural exige ainda mais atração de capital externo. “Para trazer dinheiro e poupança alheia para dentro do Brasil, precisamos ter segurança jurídica, bons marcos regulatórios, [além de] agências regulatórias profissionalizadas e não capturadas por interesses menores.”

No evento, Hartung também antecipou alguns dados que ainda serão apresentados no relatório anual deste ano da Ibá. “Nossa área plantada aumentou 220 mil hectares no Mato Grosso do Sul no ano passado. Esse setor diariamente planta 2,2 milhões de árvores no nosso país. Estamos plantando em 10,7 milhões de hectares”, completou.