Entre expansão e barreiras externas, indústria debate novos rumos para o setor na Expointer
Em um cenário de maior pressão sobre a indústria, empresas têm revisado estratégias para sustentar o crescimento e abrir novos caminhos de atuação, movimento que passa tanto pela formação de novas lideranças e talentos quanto pela busca por mercados fora do país. Essa discussão pautou os painéis realizados na Casa da Indústria, estande do Sistema FIERGS na 49ª Expointer, nesta terça-feira (1º).
A revisão de estratégias no nível das empresas foi ilustrada pelo case da Antonow. Ao apresentar a sucessão familiar como um processo estruturado e gradual, o primeiro painel do dia mostrou como uma nova geração passou a assumir funções de liderança na empresa, enquanto os fundadores mantêm atuação no direcionamento do negócio. “É um processo que precisa respeitar o legado, mas também abrir espaço para novas decisões”, afirmou a sócia da empresa e integrante do Comitê de Lideranças Femininas (Colife) do Sistema FIERGS, Muriel Antonow, ao destacar a importância do intercâmbio entre gerações na cultura da organização.
Se, no nível das empresas, a expansão para novos mercados aparece como estratégia de crescimento, no cenário atual esse movimento encontra um ambiente mais complexo. Diretor da FIERGS e presidente do Sindimadeira-RS, Leonardo De Zorzi destacou que o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos já impacta diretamente setores exportadores como o de madeira processada, com perda de espaço no mercado americano. “Saímos de uma das melhores alternativas para uma das piores”, afirmou, ao apontar o avanço da indústria norte-americana.
Segundo o gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema FIERGS, Luciano D’Andrea, a política comercial dos Estados Unidos passou a assumir um papel mais estratégico no último ano, com o uso de tarifas como instrumento de negociação. “A tarifa deixou de ser apenas um mecanismo de arrecadação ou proteção e passou a ser uma ferramenta geopolítica”, disse. O impacto é relevante para o Rio Grande do Sul, já que os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações gaúchas e concentram produtos de maior valor agregado.




