Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Potencial de florestas plantadas em debate na COP30

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou, no Pavilhão da Finlândia da Blue Zone da COP30, de um debate sobre o papel das florestas plantadas na remoção de carbono e na recuperação de áreas degradadas. Representando o governo brasileiro, o auditor fiscal federal agropecuário Luis Rangel apresentou a visão do país sobre o uso de sistemas florestais como ferramenta estratégica para ampliar a sustentabilidade na agricultura e impulsionar a transição para uma economia alinhada à neutralidade de carbono.

O painel reuniu empresas nacionais e internacionais de madeira e celulose, representantes do setor privado, pesquisadores e instituições brasileiras, em uma discussão com da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) sobre florestas plantadas e o potencial de recuperação de áreas degradadas com remoção de carbono.

Rangel destacou a diversidade de atores envolvidos e ressaltou que essa articulação é fundamental para o desenvolvimento de soluções sustentáveis. Ele também enfatizou a necessidade de ampliar a escala de florestas plantadas como parte das estratégias de mitigação climática do país. “A discussão abordou justamente as possibilidades, as expectativas e o impulso que este momento da COP oferece para avançarmos nessa visão de futuro”, avaliou.

O representante do Mapa reforçou ainda que as florestas plantadas podem contribuir diretamente para metas climáticas mais ambiciosas, ampliando a capacidade de remoção de carbono no setor agropecuário. “Estamos falando de colocar a agricultura cada vez mais com possibilidades de remoções que nos aproximem do carbono neutro, ou mesmo de resultados negativos em carbono”, afirmou.

Pavilhão AgroBrasil promove debate sobre Sistemas Florestais

Na sexta (14), em mais um dia de eventos na COP 30, o pavilhão AgroBrasil, do Sistema CNA/Senar, promoveu uma série de debates sobre “Cafés e Sistemas Florestais”.

O painel “Restauração Florestal e Silvicultura de Nativas – A próxima fronteira para o Clima e Biodiversidade”, reuniu representantes de iniciativas que atuam na restauração em larga escala no Brasil.

Fabio Sakamoto, CEO da Biomas, enfatizou a importância da diversidade, da valorização das florestas, falou da necessidade de investimentos privados e criticou a lentidão das políticas ambientais e regulamentações que ainda freiam o crescimento do mercado de carbono no mundo.

Thiago Picolo, CEO da Re.green, ressaltou os desafios de estruturar negócios em um mercado emergente e a urgência de remover carbono da atmosfera.

Picolo defendeu os mercados de carbono, regulamentações internacionais e cooperação entre governos, empresas e sociedade. Para ele, o carbono é um ativo estratégico e o Brasil está em posição privilegiada nessa negociação.

Já Peter Fernandez, co-fundador da Mombak, apontou o crescimento recente impulsionado pela demanda global e o interesse de governos em reduzir suas pegadas de carbono, apesar dos entraves regulatórios e da ausência de acordos bilaterais brasileiros.

Como moderador, Roberto Waack, presidente do Conselho do Arapyaú e membro do conselho da Marfrig, trouxe exemplos práticos, como o enriquecimento do solo em pastagens, e ressaltou que a qualidade da restauração depende diretamente da capacidade técnica de quem a executa.

No painel “Benefícios dos Produtos de Base Florestal” foi apresentada a produção florestal renovável, que se conecta à indústria e aos diferentes segmentos, como papel, celulose, pisos, painéis, carvão vegetal, reflorestamento e restauração incluindo espécies nativas.

Isadora Vilela, da Melhoramentos, destacou que existem oportunidades reais para a indústria, especialmente a alimentícia, em reduzir o uso de plástico em embalagens. Vilela também explicou como embalagens de papel podem ser produzidas de forma sustentável. “É possível trabalhar dessa forma, desde o plantio do eucalipto, até o pós-uso, com manejo responsável, redução de químicos e certificação FSC 100%”.

Wilson Andrade, da Abaf, apresentou o caso de uma empresa que processa celulose e integra toda a cadeia, desde os pequenos e médios produtores. Ele relatou desafios na busca de biomassa para substituir o petróleo em caldeiras, apesar de iniciativas bem-sucedidas como a ferroliga verde da Ferbasa. “Existe uma preocupação com a crescente demanda por madeira e a necessidade de planejamento nacional da cadeia produtiva”.

Pedro Prata, da Ellen MacArthur Foundation, contou a trajetória da velejadora Ellen MacArthur e como sua experiência ao dar a volta ao mundo sozinha, sem usar recursos externos nem descartar resíduos, inspirou a criação da fundação em 2010. “A organização impulsionou o conceito de economia circular, que hoje influencia políticas em 90 países e milhares de empresas como alternativa ao modelo linear de desperdício”, afirmou.

Adriano Scarpa, gerente da Ibá, finalizou o painel ao acrescentar que o modelo agrícola brasileiro precisa ser mais defendido nos debates internacionais sobre sustentabilidade e emissões, especialmente quando comparado a países com realidades diferentes. “É importante ampliar a voz dos países em desenvolvimento nessas discussões, inclusive na OMC”, concluiu.

Mercado de carbono é tema de debate no estande do Sistema CNA/Senar

As discussões em torno do mercado de carbono marcaram a programação do sábado (15) no estande do Sistema CNA/Senar, localizado na Blue Zone. Os debates reuniram representantes do setor produtivo do agro, pesquisadores, representantes de entidades para discutir a apresentar iniciativas que visem reduzir emissões e aumentar o sequestro de carbono, além de utilizar menos produtos fósseis.

O primeiro debate do dia abordou o tema “Bioprodutos de origem florestal – Bem-vindo ao futuro, ele é feito de madeira!”, com a moderação do gerente de políticas florestais e sustentabilidade da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Adriano Scarpa, que destacou a contribuição da pesquisa e de empresas do setor para a produção sustentável.

Os painelistas foram o vice-presidente de sustentabilidade da Bracell, Márcio Nappo, o diretor-geral da empresa Melhoramentos, Rafael Gibini, a gerente executiva de sustentabilidade da Suzano, Helena Boniatti, e a pesquisadora Josileia Zanatta, da Embrapa Florestas.

O vice-presidente de sustentabilidade da Bracell destacou o trabalho da indústria na produção de fibras naturais e celulose, e no fornecimento de produtos sustentáveis com alto grau de pureza, em substituição a itens de origem fóssil, como o plástico.

Já o executivo da Melhoramentos falou da atuação da empresa para oferecer embalagens sustentáveis e das estratégias de ganhos de competitividade para promover menos danos frente aos métodos tradicionais.

Helena Boniatti, da Suzano, ressaltou a atuação da indústria, que atua no país e no exterior, em ações que buscam benefícios climáticos e remoções de carbono na atmosfera, além das alternativas a combustíveis fósseis. Segundo ela, a Suzano gera mais de 80% da própria energia com fontes renováveis.

Josiéla Zanatta, da Embrapa, por sua vez, falou sobre a utilização de pesquisas da estatal com nanotecnologia para os bioprodutos, elaboração de inventários, quantificação de remoções de carbono e uso florestal do solo.

O segundo painel do dia abordou o tema “Mercado de carbono: O que é prioridade para o Agro?”, com a moderação da assessora técnica da CNA, Amanda Roza, que reforçou o potencial da agropecuária para contribuir com a redução das emissões.

Os debatedores foram o gerente de sustentabilidade da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Adriano Scarpa, o consultor da CNA, Rodrigo Lima, e o consultor da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Leonardo Papp.

Scarpa falou da contribuição que o setor de florestas plantadas tem dado para a remoção de carbono na atmosfera e como os produtores podem se beneficiar economicamente com o sequestro de CO² a partir do cultivo de espécies e da restauração florestal.

Lima ressaltou que são necessários critérios para definir a geração e a comercialização de créditos de carbono a partir das contribuições do setor agropecuário e dos biocombustíveis. Entretanto, o país tem grande potencial para contribuir com este mercado, tanto no regulado quanto no voluntário, e o agro precisa ser contemplado no processo de regulamentação no mercado interno.

Para Leonardo Papp, a somatória dos esforços individuais de cada produtor cooperado é um fator importante para a atuação do cooperativismo no mercado de carbono e na redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE). Contudo, ponderou, há outros instrumentos que vão além do mercado voluntário.

Sistema CNA/Senar promove debates sobre o papel das energias renováveis na solução climática

O Sistema CNA/Senar realizou, na segunda (17), um debate sobre energias renováveis dentro da programação do estande da entidade na Blue Zone, na COP 30, em Belém (PA).

Os debates foram focados nos temas “Agro e transição energética”, pela manhã, e “O futuro da energia é agro: o papel do setor na descarbonização global”, que ocorreu à tarde.

Transição energética – O debate da manhã foi moderado pelo professor Daniel Vargas, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que destacou o protagonismo do agro brasileiro na contribuição para a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia sustentáveis.

Segundo ele, 75% das emissões globais de gases vêm do CO² e, dentro deste volume, 87% vêm da queima de combustíveis fósseis. No entanto, ressaltou, o que pode ser problema para outros países é uma oportunidade para o Brasil diante da matriz energética que o país possui, mostrando que o agro é parte da solução dos problemas climáticos.

As debatedoras da parte da manhã foram Márcia Silva, especialista de sustentabilidade e assuntos florestais da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), e a superintendente de Derivados de Petróleo e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Ângela Oliveira.

Márcia enfatizou o potencial do país na produção de fontes de energia sustentáveis a partir da biomassa florestal e lembrou que há uma grande diversidade de produtos energéticos que podem ser feitos com esta matéria-prima.

Em sua fala, Ângela Oliveira, superintendente da EPE, apresentou números que mostram, por exemplo, que o setor de transporte no país tem 25,7% de energia renovável. Ela também falou sobre as iniciativas e políticas governamentais para a produção e biocombustíveis e energia renováveis.

Descarbonização – O debate da tarde reuniu representantes do governo e setor produtivo de Minas Gerais e abordou o tema ” O Futuro da Energia é Agro: o Papel do setor na Descarbonização Global”.

O presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Muni Lourenço, fez a abertura da programação e afirmou que o agro tem dados bons exemplos para garantir a segurança energética com uso de energias sustentáveis.

O debate foi moderado pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Antônio Pitangui de Salvo, que reforçou a importância da contribuição do agro na transição energética e no processo de descarbonização global.

 Neste contexto, ele enfatizou que o Brasil é um dos únicos países cuja base da transição energética nasce no campo.

O painel teve a participação da superintendente da Qualidade Ambiental e Mudança Climática da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), Renata Araújo, do diretor da Aperam, Ezio Santos, do presidente da Harsco, Wender Alves, e do diretor comercial e de operações da Agronelli, Renato Costa.

A representante da Semad falou de ações do governo estadual para impulsionar o uso de energias renováveis e como o agro tem contribuído neste processo. Segundo ela, as parcerias em busca da descarbonização são essenciais para a transição energética e o produtor rural é parte desta solução.

Em seguida, o diretor de operações da Aperam Bioenergia, Ezio Santos, apresentou a atuação da empresa na área de florestas plantadas em iniciativas de produção de fontes de energia renovável como o aço verde, além de projetos voltados para a economia circular e a redução de pegada de carbono.

Na sequência, Wender Alves, presidente da Harsco, multinacional que atua em soluções ambientais para a indústria e aço e metais, mostrou como a empresa faz para tornar seus produtos cada vez mais sustentáveis transformando resíduos industriais em produtos sustentáveis para a agricultura e a fabricação de produtos.

Por último o diretor de comércio e operações da Agronelli, Renato Costa, falou da parceria com a Faemg para estimular as práticas sustentáveis em prol do agro e para contribuir com a sustentabilidade.