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Artigo – Acredite: ler em papel faz diferença na aprendizagem

Artigo – Acredite: ler em papel faz diferença na aprendizagem

Por Mariana Polli, Comunicação Institucional da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) e Fabio Mortara, presidente da Two Sides Brasil

A alegria simples de abrir um livro e se deixar levar por uma história — aquela sensação de se identificar, de se encontrar nas páginas, de guardar trechos que parecem falar diretamente com você. Ler é isso: marcar a vida em pequenos encontros silenciosos, descobrir novos sentidos e, às vezes, se achar onde nem sabia que estava. E quando essa experiência circula, ganha ainda mais força — ao compartilhar um livro, uma indicação ou uma passagem favorita, a leitura deixa de ser só individual e se transforma em ponte. São janelas que se abrem, seja para outros mundos ou para dentro do seu próprio, conectando pessoas por meio de histórias que continuam passando, de mão em mão.

Um número crescente de estudos mostra que o suporte de leitura influencia diretamente a forma como aprendemos e processamos informações. Em alguns países europeus, que haviam avançado na digitalização do ensino, já se observa um movimento de retorno ao papel, especialmente nos processos de alfabetização e nas etapas iniciais da educação. Esse cenário é reforçado pelo estudo “Papel e Digital: Pesquisa sobre a eficácia dos materiais didáticos”, elaborado pela International Publishers Association (IPA) em parceria com a Norwegian Publishers Association  e disponibilizado pela Abrelivros. Já o projeto COST E-READ reuniu 54 estudos, conduzidos em 19 países e com mais de 170 mil participantes, e aponta que leitores tendem a apresentar melhor compreensão de textos quando leem em papel — sobretudo em conteúdos mais extensos ou em situações de leitura sob pressão de tempo.

Os pesquisadores também observaram que estudantes que aprendem predominantemente por telas têm apenas cerca de um terço do progresso observado entre alunos que utilizam materiais impressos em atividades de leitura aprofundada.

Esses resultados ajudam a explicar por que, mesmo em um cenário cada vez mais digital, o papel continua presente em ambientes educacionais.

A leitura tem influência direta na forma como o conteúdo é absorvido. Em geral, o papel favorece níveis mais altos de concentração, enquanto materiais impressos também tendem a facilitar a compreensão. Por outro lado, dispositivos digitais reúnem múltiplos estímulos — como notificações, mensagens e links — que podem interromper o foco. 

Além disso, o livro físico cria referências espaciais que ajudam o cérebro a organizar as informações. A interação com o objeto — como virar páginas, localizar trechos ou fazer anotações — reforça a assimilação do conteúdo e apoia a memória ao longo do tempo.

Apesar da expansão dos dispositivos digitais, o livro impresso continua sendo o formato preferido de leitura para grande parte da população.

A pesquisa Two Sides Trend Tracker 2025, disponível em twosides.org.br, aponta que 61% das pessoas preferem ler livros em papel, enquanto 65% acreditam que as crianças aprendem mais com materiais impressos.

Esses números mostram que, mesmo com a conveniência das telas, muitos leitores associam o papel a uma experiência de leitura mais confortável e concentrada.

O papel da escrita na memória

A ciência também aponta vantagens quando o assunto é escrever. Pesquisas educacionais mostram que anotações feitas à mão ajudam na retenção de informações, por exigirem que o cérebro processe e reorganize o conteúdo antes de registrá-lo.

Esse esforço cognitivo adicional ativa áreas relacionadas à linguagem, à memória e à coordenação motora, fortalecendo o aprendizado.

Por isso, mesmo em ambientes altamente digitalizados, muitos educadores continuam incentivando o uso de livros impressos, cadernos e anotações manuais como parte do processo de estudo.

Quando um livro circula, o conhecimento também circula

É justamente esse valor do livro e da leitura que inspira iniciativas como o #CirculeUmLivro. Pelo 5º ano consecutivo, uma campanha simples conecta essas duas ideias. O #CirculeUmlivro, idealizado pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), estimula a leitura, a interação entre as pessoas e incentiva a economia circular, reforçando a sustentabilidade do papel, um material produzido a partir de árvores cultivadas especificamente para esse fim.

Para este ano, totens espalhados por algumas estações do Metrô de São Paulo, ruas de Curitiba e na Biblioteca Central do Estado da Bahia tornam-se palco de uma mobilização literária, com doação e troca de livros e uma programação cultural gratuita para todas as idades. As atividades, realizadas entre os dias 22 de abril e 22 de maio, variam de acordo com a localidade. Acompanhe a página oficial: iba.org/circuleumlivro e saiba mais.

Em uma época marcada pela disputa constante de atenção e consumo acelerado de informações, recuperar o tempo da leitura profunda pode ser um desafio — e uma necessidade.

Colocar livros novamente em circulação é, portanto, mais do que um gesto simbólico. É uma forma de lembrar que, mesmo em uma sociedade cada vez mais digital, o papel continua sendo um aliado importante da aprendizagem, da memória e do desenvolvimento do pensamento crítico.

Publicado em Revista O Papel