Setor moveleiro gaúcho avança em 2026
Análise da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs) mostra que o setor moveleiro gaúcho registrou desempenho positivo no primeiro trimestre de 2026. A entidade celebra os avanços do período, mas pondera que fatores internos e externos tendem a tornar o ano desafiador para a economia.
Com mais de 2.600 empresas, o Rio Grande do Sul é um dos principais polos moveleiros do Brasil – produzindo peças que, além de atenderem às diversas demandas do mercado nacional, são exportadas para mais de 130 países. Conforme apuração da Movergs junto à Secretaria da Fazenda, o faturamento do setor nos primeiros três meses de 2026 foi de R$ 3.324.092.282 (R$ 3.3 bilhões), com crescimento nominal de 3,83% no comparativo com o mesmo período do ano anterior.
O saldo de empregos também foi positivo, com 197 novas vagas ocupadas. De acordo com o balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 34.102 profissionais atuam no setor moveleiro gaúcho.
De janeiro a março, as exportações de mobiliário produzido no RS totalizaram US$ 59.843.174 (quase US$ 60 milhões) – aumento de 7,8% em relação a igual período de 2025. Os principais destinos foram Uruguai, Peru, México, Chile, Estados Unidos e Paraguai.
ANÁLISE DO CENÁRIO
Fatores como juros, déficit fiscal do governo e alto endividamento das famílias indicam que, mesmo com avanços no primeiro trimestre, o ano de 2026 deverá ser desafiador para a economia nacional. “O principal mercado do setor moveleiro gaúcho é o doméstico, então o desempenho está diretamente relacionado às condições da nossa economia. Tudo está ligado, desde incentivos para as indústrias investirem, preços de matérias-primas e custos com logística até tributação e estímulo ao varejo”, explica o presidente da Movergs, Vitor Agostini.
Quanto às exportações, Agostini destaca o reposicionamento das indústrias em decorrência da taxação dos Estados Unidos. “O mercado norte-americano era o principal importador dos móveis gaúchos, mas caiu para a quinta posição em 2026. Isso é resultado da taxação de 50% que esteve em vigor no ano passado e levou muitas empresas a procurarem novos parceiros”, destaca. “Os principais destinos estão na América Latina, mas o acordo entre Mercosul e União Europeia pode abrir novas portas para o setor. Ao mesmo tempo, ainda temos uma economia global instável, principalmente por causa de conflitos como a guerra no Oriente Médio”, pondera.
SOBRE A MOVERGS
A Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs) é a entidade que representa as empresas do setor moveleiro gaúcho. Há quase 40 anos trabalha em prol do fortalecimento e do fomento de oportunidades para a cadeia produtiva. Comprometida com a defesa dos interesses de seus associados, a entidade atua na ampliação de sua representatividade no contexto político-econômico nacional – além de realizar ações como a feira Fimma Brasil e o Congresso Movergs para impulsionar negócios e promover qualificação.
Polo moveleiro de Bento Gonçalves registra retração no primeiro trimestre
O polo moveleiro de Bento Gonçalves encerrou o primeiro trimestre de 2026 com retração no faturamento e nas exportações em relação ao mesmo período do ano anterior. A geração de empregos, no entanto, apresentou saldo positivo. Entre os fatores que pesam sobre o desempenho do setor estão o consumo interno moderado, os juros elevados, a pressão sobre os custos produtivos e as incertezas no comércio global.
Conforme levantamento do Sindicato das Indústrias Moveleiras de Bento Gonçalves (Sindmóveis) junto à Secretaria da Fazenda, o faturamento nominal das cerca de 300 empresas da região somou R$ 803,4 milhões entre janeiro e março de 2026 – queda de 3,87% em relação ao mesmo período de 2025. “O início de 2026 não foi animador para o polo moveleiro de Bento. Claro que algumas indústrias podem estar em um bom momento, mas os dados mostram um panorama do setor como um todo. Grande parte das empresas vem sentindo o impacto de questões do mercado interno, como crédito mais restrito e redução das compras de bens duráveis”, avalia a presidente do Sindmóveis, Cíntia Weirich.
Segundo dados do portal Comex Stat, do governo federal, as exportações do polo alcançaram US$ 13,4 milhões no trimestre, retração de 1,33% na comparação com igual período de 2025. Os Estados Unidos, que ocupavam a primeira posição no ranking de destinos, passaram para o quarto lugar, movimento que o Sindmóveis atribui às tarifas impostas pelo governo norte-americano. Uruguai, Chile e Peru lideram o ranking atualmente.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam a criação de 65 postos de trabalho no período, totalizando 6.179 profissionais empregados nas empresas da região. “O polo moveleiro de Bento Gonçalves mostra sua resiliência nesse contexto de desafios, reforçando a capacidade de adaptação das nossas indústrias durante as oscilações do mercado. Isso nos dá ainda mais combustível para planejar a próxima Movelsul, em agosto, porque a feira reúne compradores nacionais e internacionais, aumentando as oportunidades de negócios qualificados”, afirma Cíntia Weirich.
Movelsul Brasil
A Movelsul Brasil é realizada pelo Sindmóveis desde 1977. A 25ª edição ocorre de 17 a 20 de agosto de 2026 e reunirá cerca de 200 marcas de móveis seriados e planejados, colchões, estofados, decoração e serviços. A programação inclui palestras e a mostra do Prêmio Salão Design, concurso de design moveleiro.




