Projeto viabiliza ampliação do Centro Temático em Bioeconomia Florestal e do Clima
Discussões técnicas, definições de procedimentos e próximos passos marcam um ano de realização do projeto “Ampliação da infraestrutura do Centro Temático em Bioeconomia Florestal e Mudança do Clima (BioMC)”, coordenado pela Embrapa Florestas e financiado com recursos da Finep. O projeto tem como objetivo fortalecer a capacidade de pesquisa e desenvolvimento de soluções voltadas à descarbonização da produção florestal, à adaptação às mudanças climáticas e à geração de produtos sustentáveis de base florestal. A iniciativa busca ampliar a infraestrutura científica já existente nas instituições participantes do projeto, reunindo diferentes competências e áreas do conhecimento para responder aos desafios ambientais e econômicos associados ao aquecimento global. Participam do projeto, também, a Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus/AM) e a Universidade Federal do Paraná. A primeira etapa do projeto consistiu na definição da aquisição de equipamentos, ajustes em ambientes para receber a nova infraestrutura, estudos para implantação das obras, contratação de bolsistas, elaboração dos planos de trabalho e organização das entregas entre as instituições. Agora, o projeto segue na consolidação e integração de bases de dados e informações das instituições, além do prosseguimento das pesquisas, análises e publicação de resultados.
A proposta do BioMC parte do diagnóstico de que o avanço das mudanças climáticas, o aumento das emissões de gases de efeito estufa e a pressão internacional por cadeias produtivas mais sustentáveis exigirão novas tecnologias e métricas para o setor florestal brasileiro, manter- se competitivo. O Brasil assumiu compromissos de neutralidade climática até 2050, além de metas relacionadas à restauração florestal, redução do desmatamento e ampliação de sistemas produtivos de baixo carbono. Nesse cenário, o projeto pretende criar condições para que o país desenvolva tecnologias próprias de monitoramento de carbono, produção de bioinsumos e bioprodutos e estratégias de adaptação climática voltadas às florestas”, explica Josileia Zanatta, coordenadora do projeto e pesquisadora da Embrapa Florestas.
O Centro BioMC atuará em diferentes frentes. Uma delas é o desenvolvimento de bioinsumos florestais com a utilização de bactérias e microrganismos capazes de estimular o crescimento vegetal, melhorar a eficiência nutricional das plantas e reduzir a dependência de fertilizantes químicos. O projeto prevê a implantação de uma biofábrica piloto para produção desses insumos biológicos, voltados especialmente para espécies florestais como pinus e eucalipto, além de estabelecer os procedimentos para produção, “on farm”, contribuindo para uma silvicultura mais sustentável. Outra frente envolve a criação de novos materiais de elevado valor agregado e produtos sustentáveis a partir de biomassa florestal, incluindo nanocelulose, fertilizantes organominerais e materiais lignocelulósicos aplicáveis à indústria farmacêutica.
A proposta também prevê estudos avançados sobre a geração de métricas e indicadores de carbono florestal e gases de efeito estufa. O objetivo é desenvolver protocolos e metodologias capazes de medir estoques de carbono em larga escala, utilizando sensores e geotecnologias, que subsidiarão plataformas digitais de monitoramento, numa evolução de outras ferramentas de reporte de emissões já desenvolvidas pela Embrapa Florestas (como por exemplo o painel de métricas de carbono em Minas Gerais, a calculadora de carbono em erva-mate e o software SisILPF). A intenção é oferecer ferramentas que permitam mensurar e reportar emissões e remoções de carbono em sistemas florestais, atendendo exigências internacionais relacionadas aos mecanismos de redução de emissão, como finanças verdes e o próprio Acordo de Paris.
Outro eixo importante do projeto será o estudo dos impactos futuros das mudanças climáticas sobre espécies florestais e insetos-praga. Para isso, o centro pretende utilizar estruturas experimentais capazes de simular cenários climáticos futuros, controlando temperatura e concentração de dióxido de carbono. A partir desses experimentos, pesquisadores poderão avaliar como secas, calor e alterações nos parâmetros climáticos afetam o crescimento das árvores, a ocorrência de pragas e a produtividade florestal. O objetivo é antecipar riscos e propor estratégias de manejo adaptadas às novas condições climáticas. “Com estas frentes de atuação, pretendemos, também, dar suporte a políticas públicas comprometidas com a mitigação de gases de efeito estufa e adaptação climática”, explica Zanatta.
“O funcionamento do projeto será baseado em uma estrutura multiusuário e colaborativa”, conta a pesquisadora. “O trabalho prevê, por meio de contratos de parceria, a cooperação com empresas do setor florestal, instituições públicas, universidades e organizações de pesquisa nacionais e internacionais. A infraestrutura ficará disponível para pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, técnicos e empresas parceiras, o que vai permitir o desenvolvimento de ensaios laboratoriais, análises ambientais, estudos de carbono, pesquisas em bioeconomia e validação de tecnologias em condições de campo”.
Entre os impactos esperados estão a geração de tecnologias para redução da pegada de carbono da produção florestal, o fortalecimento da competitividade internacional do setor brasileiro, a criação de novos produtos sustentáveis e o apoio à formulação de políticas públicas ligadas ao clima e à bioeconomia. O projeto também pretende ampliar a capacidade técnica do país em áreas estratégicas como monitoramento de carbono, bioeconomia e adaptação climática, contribuindo para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono baseada em recursos florestais renováveis.
“Este projeto integra de forma abrangente os estudos sobre o ciclo do carbono, a bioeconomia e a mudança climática, com um enfoque particular no ecossistema brasileiro… Pretendemos não apenas compreender a dinâmica do carbono nas florestas e nos produtos florestais, mas também explorar como esses elementos podem contribuir para uma economia sustentável e para a mitigação das mudanças climáticas”, conclui.
Fonte: Embrapa Florestas
Foto: Luiz Costa




