Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Sema apresenta resultados parciais de estudos sobre mensuração de Gases de Efeito Estufa nos campos e florestas

Dando continuidade às atividades do governo do Rio Grande do Sul na Expointer 2025, nesta terça-feira (2/9) a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) apresentou os resultados parciais dos estudos referentes ao Monitoramento Gases de Efeito Estufa (GEE) nos Campos e nas Florestas. O evento aconteceu no estande do Governo do Estado na Expointer.

“Pela primeira vez, o Rio Grande do Sul está conseguindo reunir dados científicos consistentes sobre a redução de emissões na agricultura e na pecuária. Esse trabalho é fundamental para que possamos valorizar o esforço dos produtores que adotam práticas de baixa emissão de carbono e, ao mesmo tempo, inserir oficialmente esses resultados nos inventários nacionais e internacionais. O objetivo é consolidar o Estado como referência em sustentabilidade e mostrar que a agropecuária gaúcha pode ser parte da solução para o enfrentamento da crise climática”, afirmou a secretária da pasta, Marjorie Kauffmann.

O resultado é fruto de uma parceria entre a Sema e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), por meio de edital lançado em 2023 que repassou R$ 15 milhões para viabilizar os estudos. Cinco projetos foram contemplados:

  • Avaliação de tecnologias com potencial de mitigar gases de efeito estufa nos campos e nas florestas nativas e cultivadas do RS – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Pesquisadora: Teresa Cristina Moraes Genro;
  • Semeando sustentabilidade no Pampa: avaliação do impacto da utilização de boas práticas no cultivo de arroz sobre o balanço de gases de efeito estufa – Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Pesquisador: Felipe Costa;
  • Estudo micrometeorológico e medidas de gases de efeito estufa no Bioma Pampa: conexões com eventos climáticos extremos – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Pesquisador: Michel Stefanello;
  • Monitoramento do carbono no solo e gases de efeito estufa em campos cultivos puros ou integrados e florestas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisador: Paulo Cesar de Faccio Carvalho;
  • Monitoramento das emissões de gases de efeito estufa e estoques de carbono visando mitigação e adaptação às mudanças climáticas em sistemas agropecuários e florestais do Rio Grande do Sul – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Pesquisador: Sandro Giacomini.

Teresa Genro (Embrapa) informou que, em 2024, foram realizados testes com 24 animais e, em 2025, já são a 160 avaliados. O trabalho vem permitindo identificar os animais reprodutores com menor emissão de gases de efeito estufa e maior eficiência na conversão alimentar. Além disso, estão em andamento ensaios metabólicos com diferentes dietas, estudos sobre subprodutos regionais e novas parcerias com instituições de pesquisa. Já é possível projetar que o manejo correto do pasto tem potencial de mitigar 35% das emissões de metano (CH4); que a manipulação da fermentação ruminal, até 20%; e que o melhoramento genético tem potencial de reduzir até 38% de emissões de CH4.

Segundo Felipe Costa (Unipampa), com pesquisa realizadaem Alegrete e em Manoel Viana, os estudos apontaram melhorias no modelo de mensuração da troca líquida de gás carbônico (CO2), possibilitando medir, por meio de sensoriamento remoto, se o ambiente emite ou captura CO2. Os resultados parciais também apontam menores concentrações de metano (CH4) em áreas com sistema de cultivo em taipas – um tipo de construção que usa uma estrutura de madeira ou bambu.

O pesquisador Michel Stefanello (UFSM) informou que foram instaladas unidades de monitoramento em propriedades rurais inseridas no bioma Pampa. Os resultados preliminares já apontam que o monitoramento contínuo permite compreender de forma mais precisa o impacto do clima, da pastagem e da carga animal sobre o equilíbrio dos ecossistemas, fornecendo dados essenciais para orientar práticas sustentáveis na pecuária e na conservação dos biomas.

Paulo Carvalho (Ufrgs), informou que os dados preliminares apontam que sistemas de consórcio de culturas com arroz, que é o cultivo de arroz simultaneamente com outra espécie (ou espécies) na mesma área, reduzem significativamente as emissões de CH4. Os projetos de integração lavoura-pecuária demonstraram reduções de até 79% nas emissões de gases de efeito estufa.

Da UFSM, Sandro Giacomini apontou que a pesquisa até agora aponta que a emissão para o óxido nitroso (N2O) da adubação nitrogenada – aplicação de nitrogênio (N) no solo para promover o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das plantas – com ureia representam menos do que 50% do valor padrão indicado pelo Painel Intergovernamental da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Entre os resultados, destaca-se a constatação de que determinadas práticas agrícolas, como a introdução de culturas específicas e o uso de fertilizantes adequados, contribuem diretamente para diminuir a volatilização de nutrientes e as emissões associadas.

Os resultados finais estão previstos para serem divulgados em dezembro de 2026.

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