Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Programa Integra RS reforça expansão do sistema lavoura, pecuária e floresta no Estado

O governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), promoveu na quinta-feira (3/9), durante a 48ª Expointer, um debate sobre o Programa Integra RS. A iniciativa busca ampliar a adoção do Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) no Estado, com a meta de expandir em 1 milhão de hectares a prática que alia produtividade, sustentabilidade e diversificação de renda no campo.

O encontro reuniu o secretário da Agricultura, Edivilson Brum, o coordenador do Plano ABC+RS, Jackson Brilhante, o diretor de projetos da Rede ILPF, William Marchió, além do presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Eduardo Bonatto, e do presidente da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz. As entidades destacaram a importância da difusão de tecnologias e da capacitação de técnicos para levar o sistema aos produtores rurais gaúchos.

Brum ressaltou que a maioria das propriedades no Estado tem de um a 50 bovinos e que a vocação do gaúcho para criar e produzir é decisiva para o futuro da agropecuária. Ele lembrou que as mudanças climáticas já impactam o setor produtivo e que todos, dos grandes aos pequenos produtores, precisam se adaptar. “O papel de instituições aqui é fundamental para apoiar o produtor e impulsionar o sucesso da agricultura”, afirmou.

Qualificar e comunicar

Para Brilhante, a expansão da ILPF depende da articulação entre governo, entidades e a rede de extensão rural. “O programa fomenta a qualificação da equipe técnica, especialmente da extensão, para que a aplicação das práticas chegue às propriedades em todo o Estado”, destacou.
Marchió recordou que a Rede ILPF foi criada em 2006 e que a produção brasileira já está entre as mais sustentáveis do mundo. “O desafio é comunicar essa expertise, reconhecida no setor, também para a população urbana, mostrando como a tecnologia sustentável gera valor. É uma estratégia que beneficia as famílias rurais e fortalece comunidades”, explicou.

Schwerz avaliou a Expointer como espaço de oportunidade para conexões e estratégias. “A feira tem permitido debater o futuro da agropecuária e apresentar projetos como o Integra RS, que podem transformar a realidade no campo”, disse.

Bonatto reforçou que a capacitação e a sensibilização dos produtores são fundamentais para consolidar o sistema. Ele destacou que o setor do arroz também está alinhado com a pauta da integração.

Resultados mapeados

O mapeamento da Emater sobre experiências em sistemas integrados evidenciou ganhos expressivos para a produção e o meio rural. Os dados apontam aumento da produtividade, especialmente na produção leiteira em áreas silvipastoris, recuperação de áreas degradadas, maior acúmulo de matéria orgânica no solo e melhora no bem-estar animal, garantido pelo sombreamento das árvores.
Os agricultores relatam ainda diversificação da produção, fortalecimento da agroecologia e inserção em mercados institucionais e feiras locais. A troca de experiências em mutirões aparece como fator relevante para o aprendizado coletivo. Entre as práticas mais consolidadas está a integração lavoura-pecuária, presente sobretudo em pequenas propriedades, combinando soja e milho no verão com aveia e azevém no inverno, o que tem gerado benefícios tanto para a lavoura quanto para a pecuária.

Início do programa

O Integra RS foi lançado em 2024 com uma caravana de eventos itinerantes que percorreu municípios como Porto Alegre, Bagé, Ijuí, Passo Fundo e Rosário do Sul. A partir dessa experiência, o governo e parceiros estruturaram o programa para ir além dos encontros, investindo na formação de técnicos e no estímulo à adoção em larga escala. Já no início deste ano, o Estado assinou o termo de cooperação com os envolvidos no projeto.

A integração lavoura-pecuária-floresta garante retorno financeiro em etapas: no curto prazo, com grãos; no médio prazo, com a pecuária; e, no longo prazo, com a silvicultura. O modelo proporciona uso mais eficiente do solo, diversificação da produção e redução de custos, além de ganhos ambientais, como sequestro de carbono, menor emissão de gases de efeito estufa e melhoria na qualidade da água e do solo.

Adaptável a pequenas, médias e grandes propriedades, a ILPF pode ser aplicada em diferentes biomas brasileiros. Entre as práticas mais comuns estão o cultivo de soja, milho e algodão, a bovinocultura de corte e leite e o plantio de eucalipto.

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