A Expedição Silvicultura encerrou sua fase de eventos presenciais em Porto Alegre (RS) na quinta-feira, 6 de novembro. Uma jornada inédita de mais de 40 mil km que mapeou 14 estados, responsáveis por 98% da área plantada no país, que foi para campo coletar dados para poder validar o mapeamento que a Canopy Remote Sensing Solutions faz por satélite para a Ibá e entidades estaduais dos setor florestal. O encontro na capital gaúcha foi o nono e último compromisso da série, após passar por Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Eunápolis (BA), Lucas do Rio Verde (MT), Três Lagoas (MS), Botucatu (SP), Curitiba (PR) e Lages (SC).

O encontro realizado na capital gaúcha ocorreu na Fiergs, com um painel abordando o setor no Rio Grande do Sul. Fabio Gonçalves da Canopy apresentou o mapeamento e caracterização dos plantios no RS, seguido por uma apresentação do pesquisador e engenheiro florestal Jackson Brilhante, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi), sobre as Políticas Públicas e Incentivos para o Setor Florestal. Jackson, que também é coordenador do Plano ABC+ RS, apresentou as metas do Plano ABC+, que buscam expandir em 322 mil hectares as florestas plantadas no Rio Grande do Sul.

O pesquisador também apresentou estudos desenvolvidos pela Secretaria e parceiros com acácia, eucalipto e pinus. No caso do pinus, as pesquisas começaram em fevereiro deste ano na região de Mostardas, no litoral sul do Rio Grande do Sul. “Estão sendo feitas análises de gases, estão sendo coletadas amostras de solo e determinação de carbono estocado na parte aérea, mediante avaliação de inventário. A ideia é que já tenhamos alguns resultados deste trabalho em 2026”, disse Brilhante.
Uma das pesquisas com eucaliptos fez a primeira investigação sobre os efeitos do manejo de resíduos da colheita de eucalipto no balanço de gases de efeito estufa (GEE) em solos arenosos sob clima subtropical no Brasil. A pesquisa foi conduzida com o objetivo de avaliar diferentes estratégias de manejo florestal e seus impactos sobre o potencial de aquecimento global, com foco na mitigação das emissões de GEE e no sequestro de carbono.
Os resultados demonstraram que a prática de manejo que preserva integralmente os resíduos da colheita de eucalipto apresentou os menores valores de GWP (potencial de aquecimento global) associados ao solo, indicando maior capacidade de sequestro de carbono em comparação com os demais manejos de solo. Essa estratégia também mostrou potencial para aumentar a oxidação de metano, contribuindo adicionalmente para a redução das emissões. Veja aqui o estudo completo.
Já os presidentes Leonardo de Zorzi (Sindimadeira) e Daniel Chies (Ageflor), coordenador e vice do Comitê da Indústria de Base Florestal da Fiergs, interagiram com o técnico da entidade Thiago Pereira, analisando o cenário atual e perspectivas do setor. Presente na ocasião, o deputado estadual Carlos Búrigo, presidente da Frente Parlamentar da Silvicultura falou sobre projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa do RS.

O evento também oportunizou apresentações técnicas sobre máquinas, equipamentos e soluções tecnológicas baseadas em dados voltadas ao plantio, manejo e colheita. A Expedição Silvicultura foi uma realização da Canopy, Embrapa Florestas e Paulo Cardoso Comunicações, e contou com o apoio das principais instituições e empresas do setor.

Confira aqui mais fotos do evento: https://drive.google.com/drive/folders/1ZpwX6VP4MxqbTmNmMcxvEa0mKvTtDVDc?usp=drive_link
Após o evento, a equipe seguiu coletando dados na região, retornando ao destino em Florianópolis (SC), ponto inicial da Expedição. A fase final da expedição no litoral e serra gaúcha destacou-se pelo adensamento florestal e a dominância do Pinus, uma realidade distinta das áreas já percorridas. Reconhecendo a alta demanda por informações sobre esta cultura — que concentra 89% do estoque nacional mapeado no Sul — o projeto mantém um protocolo de coleta padronizado e rigoroso, idêntico ao empregado para o eucalipto, reforçando o Pinus como foco estratégico regional.
O projeto tem como objetivo gerar informações de alta qualidade e detalhamento para elevar a competitividade do setor. Este material, com previsão de divulgação para o início de 2026, promete se tornar uma referência fundamental para o futuro do planejamento e desenvolvimento da silvicultura brasileira. A proposta é que a Expedição se estabeleça como um inventário anual, criando uma série histórica de dados para o setor.




