O Grupo Voto organizou na quarta, 25, o almoço de abertura do South Summit Brazil, um dos maiores encontros de inovação e negócios da América Latina. O evento contou com um painel sobre o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul e serviu de estopim a uma mobilização de políticos e empresários. Eles questionam o Ministério Público Federal (MPF) por buscar suspender, por tempo indeterminado, a implantação da megafábrica de celulosa da multinacional chilena CMPC, no município de Barra do Ribeiro.
Um abaixo-assinado em defesa do projeto da CMPC de construir uma nova fábrica de celulose no município de Barra do Ribeiro foi proposto pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter durante o almoço de abertura do South Summit Brazil, no Instituto Caldeira, na quarta-feira, 25 de março.
Durante o painel “Brasil de Ideias”, do Grupo Voto, o líder empresarial pediu a palavra e sugeriu que fosse feito um abaixo-assinado que envolva toda a população gaúcha em favor da proposta da empresa chilena de instalar uma nova planta no Rio Grande do Sul.
“Não posso ficar quieto. Tenho que me posicionar e nós vamos ter que buscar assinaturas de empresários, dos nossos sindicatos e dos trabalhadores. Depois, vamos estender esse movimento ao restante do Brasil”, defendeu Jorge Gerdau, sendo prontamente apoiado pela plateia de empresários e gestores públicos.
Na sua fala, Gerdau disse que questionamentos que possam vier a suspender ou atrasar o projeto da CMPC tem um “simbolismo de interromper o crescimento e o desenvolvimento econômico, social e político do País”. A manifestação se refere à recomendação do Ministério Público Federal de suspender o licenciamento ambiental da indústria até que comunidades indígenas sejam ouvidas. A Fepam, órgão ambiental do Estado, está analisando o caso.
Batizado de Projeto Natureza, o empreendimento prevê um investimento de R$ 27 bilhões, com criação de 12 mil empregos durante a construção e 1.500 vagas operacionais. Em Barra do Ribeiro, será construída a nova unidade da CMPC, com capacidade projetada de produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose de eucalipto ao ano.
É o maior investimento privado do Rio Grande do Sul e o maior já realizado por uma empresa chilena fora de seu país de origem. Com o novo polo industrial, a CMPC poderá mais do que dobrar a sua atual capacidade produtiva no País, que é de 2,4 milhões de toneladas produzidas em Guaíba.
O novo empreendimento também prevê a realização de obras em rodovias gaúchas para o escoamento de safras, incremento de atividade hidroviária e a implementação de um parque ecológico florestal para visitação da população – na Fazenda Barba Negra. Em Rio Grande, haverá um investimento de R$ 1,5 bilhão em um terminal portuário para a celulose.
No início de março, o MPF recomendou que o licenciamento da fábrica seja suspenso. O órgão alega que processo não inclui um termo de Consulta Prévia, Livre e Informada (CLPI) às comunidades indígenas presentes nas áreas abrangidas pelo projeto. Segundo o procurador federal Ricardo Gralha Massia, o licenciamento ambiental ignora impactos que podem ser causados pela expansão das plantações de eucalipto, dragagem no Lago Guaíba e aumento de tráfego de caminhões. Caso o pedido de suspensão não seja atendido, o MPF ameaça judicializar a questão.
Durante a sua participação no South Summit Brazil, nesta quinta-feira, 26 de março, o diretor-geral da CPMC, Antonio Lacerda, agradeceu a iniciativa de Jorge Gerdau de lançar a ideia do abaixo-assinado .
“Gerdau sugeriu a criação do documento para defender o projeto Natureza, um investimento de R$ 27 bilhões que vai gerar 6 mil empregos no Estado e que está sob ameaça”, afirmou. “O abaixo-assinado não é uma iniciativa da CMPC. Mas, obviamente a gente agradece muito o apoio do povo gaúcho para que o projeto saia do papel”, acrescentou.
O diretor-geral da CMPC, Antônio Lacerda, criticou o “ativismo ideológico na interpretação das leis”, que “afasta o capital nacional e estrangeiro”. Ele enfatizou a necessidade de segurança jurídica para unir crescimento e sustentabilidade. Sobre a recomendação do Ministério Público Federal de suspender o licenciamento ambiental até que comunidades indígenas sejam ouvidas, Lacerda disse que a empresa foi informada pelo MPF que deveria suspender o processo de licenciamento do projeto Natureza em função da não escuta livre, prévia e informada das aldeias indígenas guaranis de todo o Rio Grande do Sul. “Isso é inviável e não está previsto em nenhuma legislação”, sustentou.
Empresários e autoridades reagiram com veemência durante o Brasil de Ideias. O vice-governador gaúcho Gabriel Souza defendeu o projeto: “É o maior investimento da história do Rio Grande do Sul e ele vai acontecer rapidamente, porque haverá geração de emprego e renda para o Estado. Vamos colocar o interesse público acima das ideologias”. O presidente da Fiergs, Cláudio Bier, reforçou o argumento: “A inovação é a base para o crescimento. Por isso, investimos em educação, tecnologia e na formação de pessoas”.
Políticos gaúchos, incentivados pelo empresário Jorge Gerdau, deram início à coleta de apoios do abaixo-assinado “O RS merece crescer!”. Os deputados federais Luciano Zucco, Marcel van Hatten e Ubiratan Sanderson e o deputado estadual Felipe Camozzato oficiaram o MPF. “Não permitiremos que o Rio Grande do Sul perca o maior investimento da sua história!”, afirmam. “São milhares de empregos em jogo, além do futuro do estado e de milhões de famílias.” O movimento convoca cidadãos, lideranças sociais, empresariais e políticas a apoiar o desenvolvimento no Rio Grande do Sul.
Fonte: Jornal do Comércio e Revista Voto




