A Seta realizou, na última sexta-feira (10), em seu auditório administrativo em Estância Velha, o 11º Encontro de Viveiros, reunindo parceiros de negócio, viveiristas e especialistas para discutir os avanços e desafios da acacicultura. O evento teve como principal destaque a evolução dos estudos em melhoramento genético da acácia-negra, iniciativa estratégica conduzida pela empresa em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria.
Ao longo da programação, os participantes acompanharam uma agenda técnica voltada ao desenvolvimento sustentável da cultura. A abertura abordou o cenário atual do mercado de madeira e casca, seguida por painéis técnicos que trataram de temas essenciais como manejo da fertilidade do solo, fitossanidade e estratégias de controle de doenças.
O ponto central do encontro foi a apresentação dos avanços no melhoramento genético da acácia-negra, conduzida pelo professor Dilson Bisognin. Os estudos evidenciam o potencial de desenvolvimento de materiais genéticos mais produtivos, resilientes e adaptados às diferentes condições de cultivo, contribuindo diretamente para o aumento da eficiência e da competitividade da cadeia produtiva.
“Acreditamos que o investimento em pesquisa e desenvolvimento é fundamental para garantir a evolução da acacicultura. O melhoramento genético representa um avanço estruturante, com impacto direto na produtividade, na qualidade das florestas e na sustentabilidade do setor”, destaca a Seta.
Pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) participaram do encontro, destacando resultados de estudos sobre o uso de bioinsumos na produção de mudas. O pesquisador do DDPA Luciano Kayser Vargas apresentou avanços no uso dessas tecnologias, com base em cinco publicações em periódicos internacionais. “Entre os principais resultados, estão a identificação de alta diversidade de rizóbios noduladores em solos do Rio Grande do Sul, a eficiência das estirpes recomendadas, o aumento da germinação e do vigor de plântulas com a inoculação de sementes e o potencial de uso de bactérias para estimular o enraizamento de estacas”, elencou.

A adoção dessas tecnologias tem impacto direto na qualidade das plantas. “Estudos demonstram que mudas inoculadas com bioinsumos têm potencial de incremento de 15% no volume de madeira de florestas de acácia”, ressaltou o engenheiro florestal e coordenador do Plano ABC+RS, Jackson Brilhante.
Em sua apresentação, Brilhante também enfatizou a importância do manejo adequado da fertilidade do solo. Segundo ele, é fundamental que o produtor realize a reposição dos nutrientes exportados pela colheita, especialmente cálcio (Ca) e magnésio (Mg). “Em média, a retirada de madeira e casca de acácia-negra implica a exportação de cerca de 300 quilos de cálcio por hectare e 100 quilos de magnésio por hectare, o que reforça a necessidade de práticas regulares de correção e adubação para garantir a sustentabilidade produtiva ao longo dos ciclos”, explicou.
Doenças e estratégias de controle
Outro destaque do encontro foi a palestra da pesquisadora do DDPA Andréia Mara Rotta de Oliveira, que abordou as principais doenças da acácia-negra e estratégias de controle. A apresentação contemplou ocorrências em sementes, viveiros e campo, com ênfase na gomose, causada por fungos do gênero Phytophthora, e na murcha-de-ceratocistose (Ceratocystis fimbriata).
Segundo a pesquisadora, a gomose é considerada a principal doença em plantações florestais no Brasil e em acácia, no Rio Grande do Sul, seguida pela murcha. Andréia também apresentou resultados de pesquisas em andamento voltadas à identificação de fungos fitopatogênicos em viveiros e à seleção de microrganismos com potencial para o controle biológico. “Estamos investigando a presença de fungos que limitam a produção de mudas e selecionando microrganismos capazes de atuar no controle desses fitopatógenos”, afirmou.
Para o diretor-presidente da Seta, Diogo Leuck, o encontro reforça a importância da integração entre pesquisa e produção. “Tudo começa no campo — e, na silvicultura, antes ainda, no viveiro. Por isso, realizamos anualmente o encontro com viveiristas, para informar, trocar experiências e aproximar a empresa e os órgãos do governo de quem aplica, na prática, a tecnologia e a inovação nas mudas”, sintetizou.
O encontro foi encerrado com a apresentação do Programa de Fomento Seta 2026, reforçando o compromisso da empresa com o desenvolvimento da base florestal e o fortalecimento da parceria com produtores e viveiristas.
Mais do que um evento técnico, o 11º Encontro de Viveiros consolidou-se como um espaço de integração entre pesquisa, campo e indústria, promovendo a troca de conhecimento e impulsionando iniciativas que posicionam a acacicultura brasileira em um novo patamar de inovação e sustentabilidade.
Sobre a Seta
Com 85 anos de atuação, a Seta desenvolveu inúmeras soluções naturais a partir do trabalho de pesquisa e especialização da sua matéria-prima, ampliando a sua área de atuação no mercado mundial. Atualmente está presente em mais de 70 países, suprindo os cinco continentes com produtos naturais fabricados a partir do tanino da Acácia-Negra.




