Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais

Comitiva de deputados faz visita técnica à CMPC

Comitiva de deputados faz visita técnica à CMPC

Na condição de presidente do Poder Legislativo gaúcho, o deputado Sergio Peres (Republicanos) esteve na última quinta-feira (21) em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, em visita técnica à multinacional chilena CMPC (Companhia Manufatureira de Papéis e Cartões, traduzido do espanhol), que pretende instalar nos próximos meses a sua segunda unidade industrial para processamento de celulose, desta vez em Barra do Ribeiro. A visita teve por intuito conhecer a infraestrutura e acompanhar o andamento do Projeto Natureza, que prevê, além da instalação da planta industrial, um terminal portuário. A fábrica visa produzir até 3 milhões de toneladas por ano e a iniciativa é considerada o maior investimento privado da história do Estado, com estimativa de custo que pode chegar a R$ 27 bilhões.

Também estiveram na fábrica os deputados Marcus Vinicius (PP), Gilmar Sossela (PDT), Frederico Antunes (PSD), Beto Fantinel (MDB) e Ernani Polo (PSD). A comitiva foi recebida pelo diretor geral, Antônio Lacerda; pelo diretor de Assuntos Públicos e Relações Institucionais e Sustentabilidade, Ignacio Lira; pelo diretor de Infraestrutura do Projeto Natureza, Otemar Alencastro dos Santos; pelo gerente de Meio Ambiente do Projeto Natureza, Clovis Zimmer e pelo diretor de Relações Institucionais da CMPC Brasil, Daniel Brambilla, que compartilharam informações sobre o empreendimento. A companhia opera em 12 países com 54 plantas na América Latina e 4 escritórios, contando com 25 mil colaboradores próprios nessas unidades. No Brasil, são 11 mil entre colaboradores próprios e terceiros permanentes.

A CMPC centraliza sua produção em 49% de celulose, 35% tissue (papéis descartáveis, de higiene pessoal) e 16% embalagens sustentáveis. No Brasil, têm 11 plantas – uma de celulose, três de embalagens e sete de papéis tissue. A única que opera com celulose está no Rio Grande do Sul desde 2009, em Guaíba, e é hoje a maior indústria do território gaúcho, onde está presente em 75 municípios, com dois mil colaboradores na indústria e outros 4.700 em operações florestais. De acordo com a empresa, são induzidos 45 mil empregos a partir das operações em 1.200 fazendas, com um total de 510 mil hectares totais (desses, 270 mil de área produtiva e 240 mil de área preservada). A fábrica recebeu selo da Dow Jones em 2023, 2024 e 2025, que avalia a sustentabilidade das trinta maiores empresas do mundo no setor.

Expertise Logística – A companhia informa que hoje 2,5 milhões de toneladas de madeira e celulose são transportados por hidrovia, concentrando 44% da movimentação total por esse meio no Rio Grande do Sul. Conforme exposição do diretor Alencastro, o modal faz com que 100 mil viagens de caminhão sejam evitadas por ano e que 56 mil toneladas de CO2 deixem de ser emitidas.

Desenvolvimento econômico – Os gestores calculam um montante de R$ 611 milhões de impostos gerados ao município de Barra do Ribeiro nos próximos 10 anos, refletindo um aumento de 300% na arrecadação local. A empresa aponta a geração de 12 mil empregos no pico das obras (período de 6 a 8 meses); 7 mil empregos na média do período de obras e, para o restante do tempo, está prevista uma média de 1.400 empregos na área industrial, considerando mais de 30 mil pessoas empregadas envolvidas nessa cadeia produtiva.

Sustentabilidade – Os diretores afirmaram que o empreendimento assegura o uso mínimo de água e de geração de efluentes, sem uso de combustíveis fósseis na operação, com baixo consumo de químicos (não geração de dioxina e furano), impacto mínimo na comunidade no que diz respeito a odor, ruído e poluição visual, além de mínima geração de resíduo sólido.

Obstáculo jurídico – O principal desafio para a concretização da nova planta concentra-se em uma ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) no dia 13 de maio, na qual alega que a multinacional chilena não teria realizado a Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) das comunidades de pescadores artesanais, indígenas e quilombolas da região no licenciamento ambiental, conforme prevê a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O imbróglio legal foi pauta de audiência pública na última quarta-feira, na Assembleia Legislativa, onde foram tratados os impactos socioambientais e o licenciamento do novo empreendimento de celulose. O debate foi promovido de forma conjunta pelas comissões de Economia, Trabalho, Desenvolvimento Sustentável e Turismo; Saúde e Meio Ambiente; e Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado. Participaram representantes da companhia, ambientalistas, comunidades indígenas, pescadores e autoridades municipais.