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Artigo: Quanto custa perder a CMPC? II

Artigo: Quanto custa perder a CMPC? II

Por Darcy Francisco Carvalho dos Santos, economista

Foi publicado neste jornal um artigo do Presidente da Agapan, onde se posicionou contrário à implantação da CMPC, porque, em vez de aumentar a arrecadação de ICMS, daria prejuízo ao Estado, citando a Lei Kandir,

A baixa arrecadação do ICMS é verdade, é uma das causas da crise das finanças do Estado, mas ela não está na Lei Kandir, que só reduziu a arrecadação nos quatro anos seguintes a sua edição (1996 a 1999), quando a arrecadação perdeu participação no PIB. Ademais, com a reforma tributária, não haverá mais tributação na exportação, porque a mesma se dará no destino.

É claro que precisamos defender o meio ambiente. Sem ele não teremos vida no planeta. No entanto, não podemos virar as  costas ao progresso e  ao desenvolvimento. Temos que conjugar as duas coisas. O impacto do investimento dessa empresa equivale a 3,5% do PIB estadual, semelhante à GM, segundo cálculos.

Os altos déficits têm origem também na reduzida receita, que vai piorar se impedirmos a instalação de empreendimentos no Estado.  

O Estado necessita aumentar muito a arrecadação para enfrentar os seguintes compromissos:

Volta do pagamento da dívida que, embora com os benefícios do programa Propag, superará R$ 4 bilhões anuais.

A alta despesa com previdência, cujo regime de repartição adotado sobre a integralidade das remunerações até 2016 tornou-se totalmente inviável ao longo do tempo. Em 1970 havia 76 servidores ativos para 24 inativos e pensionistas, numa razão 3/1, hoje há 40 ativos para 60 inativos e pensionistas, numa razão de 0,67/1.

Além disso, em função da Emenda Constitucional n° 108/2020, o Estado não poderá mais usar a despesa com inativos e pensionistas no mínimo de 25%, que devem ser aplicados no ensino. Terá que complementar ao longo de 15 anos, quando atingirá R$ 3,6 bilhões anuais.

Também para cumprir vinculações constitucionais, terá que aumentar sua contribuição para a saúde, que não pode mais fazer uso dos recursos aplicados no IPE, o que em seguida ultrapassará R$ 1 bilhão e continuará a crescer. Valor semelhante, o Estado terá que despender com precatórios judiciais.

Ao contrário do que cita o referido artigo, um empreendimento como a CMPC vai gerar  emprego e renda para essa população tão desassistida, além do aumento da arrecadação.

Não podemos continuar nesse negacionismo para todo o empreendimento que pretende se instalar no Estado. Por isso, Paraná já nos passou e, em seguida, será vez de Santa Catarina.

Fonte: Jornal do Comércio