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Fiergs analisa impacto de novas tarifas e investigações comerciais dos EUA

Fiergs analisa impacto de novas tarifas e investigações comerciais dos EUA

O Sistema FIERGS lança nesta quinta-feira (18) um novo episódio do podcast Papo Produtivo, dedicado aos impactos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos sobre a indústria gaúcha. O programa discute os efeitos das tarifas e das investigações comerciais em curso sobre as exportações, a competitividade e o ambiente de negócios das empresas do estado.  

Entre agosto de 2025 e maio de 2026, as exportações do Rio Grande do Sul para o mercado norte-americano recuaram 31,2%, o equivalente a US$ 497,2 milhões em vendas externas. Atualmente, 87,5% das exportações gaúchas destinadas aos Estados Unidos estão expostas a algum tipo de tarifa, ampliando os desafios para setores que têm no mercado norte-americano um importante destino de seus produtos. 

Para analisar o cenário, o episódio reúne os diretores do Sistema FIERGS Leonardo de Zorzi, vice-coordenador do Conselho de Comércio Exterior (Concex) e presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), e Márcio Port dos Santos, presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Três Coroas (SICTC). A mediação é do jornalista Renato Bertuol Barros, da Gerência de Comunicação e Marketing do Sistema FIERGS. 

Ao longo da conversa, os convidados explicam os mecanismos tarifários adotados pelos Estados Unidos, discutem os efeitos das investigações comerciais em curso e avaliam os reflexos dessas medidas para diferentes segmentos da indústria gaúcha.  

Durante o episódio, De Zorzi destaca que a principal preocupação do setor produtivo não está apenas no aumento dos custos, mas também na perda de previsibilidade para empresas que dependem do comércio internacional. “A instabilidade acaba gerando um ambiente de insegurança. A insegurança acaba levando à falta de previsibilidade. Esse é o principal fator, junto com as tarifas, que acaba machucando muito a indústria”, afirma. 

Santos ressalta que os impactos vão além das empresas exportadoras e se estendem por toda a cadeia produtiva. “Toda a cadeia sente, do fornecedor lá da ponta que produz o couro ao transportador. Então toda a cadeia acaba sendo impactada”, destaca. 

Além de analisar os possíveis desdobramentos das medidas tarifárias, o episódio aborda temas como diversificação de mercados, inovação, planejamento empresarial e os caminhos para preservar a competitividade da indústria brasileira em um cenário internacional cada vez mais desafiador. 

O conteúdo já está disponível no YouTube e no Spotify. O podcast integra a série produzida pela Gerência Executiva de Comunicação e Marketing do Sistema FIERGS. 

Leonardo De Zorzi também participou do programa Ponto de Conexão na segunda-feira (15). Participaram também Luciano D’Andrea, gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema FIERGS e Rodrigo Velho, vice-presidente de Comércio Exterior da FEDERASUL. Os convidados analisam os reflexos da medida para as exportações, a indústria, o agronegócio e os empregos no Rio Grande do Sul.

Avanço das exportações para a Europa pode amenizar perdas nos EUA

avanço das exportações gaúchas para a Europa pode ajudar a reduzir parte dos impactos provocados pela retração das vendas aos Estados Unidos. A avaliação é do economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Giovani Baggio, após a divulgação dos dados de comércio exterior referentes ao primeiro mês de vigência do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Em maio, as exportações da indústria gaúcha para o bloco europeu somaram US$ 302 milhões, alta de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado representa um acréscimo de US$ 104,7 milhões e levou os embarques ao maior patamar para meses de maio após a pandemia de Covid-19.

No sentido oposto, as vendas para os Estados Unidos seguem pressionadas pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Segundo o levantamento da Fiergs, entre agosto de 2025 e maio de 2026 as exportações da indústria de transformação gaúcha para o mercado norte-americano recuaram 31,3%, o equivalente a aproximadamente US$ 495 milhões. Apenas em maio, a queda foi de 36% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Para Baggio, os números reforçam o potencial da Europa como alternativa para empresas que perderam espaço nos EUA, embora a substituição de mercados não aconteça de forma imediata. “Conquistar um cliente no mercado internacional é um processo difícil e demorado. Da mesma forma, quando esse cliente é perdido, recuperar espaço também é complicado. A ampliação das vendas para a Europa pode ajudar a compensar parte das perdas nos Estados Unidos, mas isso ocorrerá gradualmente”, afirma.

O economista ressalta que ainda é cedo para atribuir diretamente ao acordo comercial o crescimento registrado nas exportações para a União Europeia. Mesmo assim, considera o resultado um sinal positivo de aproximação entre empresas dos dois blocos.

“As empresas ainda estão conhecendo melhor esse mercado, identificando oportunidades e construindo relações comerciais. A expectativa é de que o fluxo de comércio entre os dois blocos continue se intensificando ao longo do tempo”, diz.

principal destaque das exportações para a Europa em maio foi o setor de alimentos, especialmente os frigoríficos voltados ao abate de aves. As vendas do segmento alcançaram US$ 35,6 milhões, avanço de 218% frente aos US$ 11,2 milhões registrados no mesmo mês de 2025.

Mas, apesar da forte contribuição dos frigoríficos, o crescimento não ficou restrito ao setor. Mesmo sem considerar os embarques ligados ao abate de animais, as exportações da indústria gaúcha para a União Europeia permaneceram quase 29% acima da média observada nos meses de maio entre 2021 e 2025.

Além dos alimentos, os segmentos que mais contribuíram para a expansão foram celulose e papel, tabaco, produtos químicos e madeira. Para Baggio, alguns deles podem encontrar na Europa uma oportunidade para compensar as dificuldades enfrentadas em outros mercados.

“O setor madeireiro merece atenção especial porque foi bastante afetado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A Europa pode se tornar uma alternativa importante para esses produtos, por exemplo”, observa.

O economista também destaca o potencial dos setores de couro e calçados. Segundo ele, o perfil mais sofisticado da produção gaúcha favorece a inserção em mercados de maior renda. “O calçado gaúcho possui maior valor agregado e não compete diretamente com os produtos de baixo custo produzidos em países asiáticos. Por isso, encontra melhores oportunidades em mercados com maior poder aquisitivo, como o europeu”, explica.

Para o segundo semestre, a expectativa da Fiergs é de continuidade da aproximação comercial com a União Europeia, ainda que em ritmo gradual. Ao mesmo tempo, a entidade avalia que as incertezas envolvendo as tarifas americanas, a desaceleração da economia chinesa e o cenário global devem continuar limitando um crescimento mais acelerado das exportações gaúchas.

“O cenário é de estabilidade ou crescimento moderado. Temos fatores positivos, como o acordo com a União Europeia e a abertura de novos mercados na Ásia, mas também há elementos que seguem pressionando as exportações gaúchas”, conclui Baggio.

Foto: Laíse Jergensen

Fonte: Fiergs e Jornal do Comércio