EUA: Nova tarifa ameaça US$ 4 bilhões do Brasil
A sugestão dos Estados Unidos de implementar uma taxa extra de 25% sobre determinadas importações pode impactar em até US$ 16,5 bilhões das exportações brasileiras que têm como destino o mercado norte-americano. De acordo com a CNN Brasil, esse montante corresponde a 43,7% do total exportado pelo Brasil para os EUA. Essa previsão foi apresentada em um relatório técnico divulgado nesta terça-feira (2) pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
De acordo com um estudo realizado pela organização, com base na análise comercial feita pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), o efeito potencial da ação poderia atingir US$ 4,1 bilhões nos itens que seriam afetados pela nova taxa.
No setor agropecuário, a participação é proporcionalmente menor, mas continua sendo significativa. Do total de US$ 11,4 bilhões exportados para os Estados Unidos em 2025, aproximadamente US$ 4,19 bilhões estariam contemplados na proposta. Com isso, a projeção do efeito da taxa adicional seria em torno de US$ 1,05 bilhão.
Produtos florestais abundantes
A pesquisa indica que o Rio Grande do Sul é a região do Brasil mais impactada pela nova política. A previsão indica que exportações de US$ 334 milhões do estado para os Estados Unidos podem ser influenciadas. Enquanto 43,7% das exportações do Brasil para o país estão conectadas à tarifa, no Rio Grande do Sul esse índice atinge 81,1%.
No setor agropecuário do estado, a exposição é considerável. De acordo com a Farsul, 74,9% das vendas do segmento para os Estados Unidos podem ser afetadas de alguma maneira. A entidade aponta que essa sensibilidade se deve à significativa presença de produtos florestais, madeira e tabaco nas exportações do Rio Grande do Sul, produtos que não estão nas listas iniciais de exclusão da proposta.
Dentre os produtos brasileiros mais destacados, encontram-se o sebo bovino, que gerou exportações de US$ 416 milhões e possui um impacto potencial de US$ 104 milhões. Também se destacam obras de marcenaria e carpintaria em madeira (US$ 248 milhões), madeira perfilada de coníferas (US$ 234 milhões), madeira compensada (US$ 220 milhões) e madeira serrada de pinus (US$ 212 milhões).
No Rio Grande do Sul, os itens que mais sofrem os impactos da medida incluem o tabaco não processado do tipo Virgínia, que tem exportações avaliadas em US$ 122 milhões. Em seguida, estão a madeira serrada de pinus, com exportações de US$ 81 milhões, os calçados de couro, que alcançam US$ 62 milhões, o tabaco Burley, com US$ 49 milhões, e o sebo bovino, com exportações de US$ 33 milhões.
CNI vê risco
A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta na indústria nacional. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (2), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou acompanhar com preocupação a iniciativa apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
A entidade defendeu o fortalecimento do diálogo entre os dois países para evitar prejuízos econômicos. Segundo a CNI, a eventual adoção da medida pode afetar cadeias produtivas integradas entre Brasil e Estados Unidos e comprometer uma relação comercial construída ao longo de décadas.
Para a CNI, a parceria econômica entre os dois países é estratégica e beneficia empresas e consumidores dos dois lados. A entidade avalia que a imposição de novas barreiras tarifárias tende a gerar impactos negativos não apenas para a indústria brasileira, mas também para o mercado norte-americano.
“O momento exige diálogo e análise técnica. De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações”, afirmou, em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Dados levantados pela entidade mostram que as exportações brasileiras de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos encolheram em 2025.
As vendas do setor somaram US$ 30,2 bilhões no ano passado, queda de 4,2% em comparação com 2024.
Entre os 15 principais segmentos exportadores da indústria de transformação, nove apresentaram redução nos embarques para o mercado norte-americano. As maiores quedas ocorreram nos setores de produtos de metal (31,6%), madeira (20%), celulose e papel (19,9%) e veículos automotores (17,6%).
Na avaliação da CNI, a aplicação de uma tarifa adicional pode ampliar as dificuldades enfrentadas por esses setores e reduzir ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos.
Fonte: Opinião em Pauta com informações da CNN Brasil e Agência Brasil




