O Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais (Funcema) e a Embrapa Florestas assinaram na sede da instituição em Colombo/PR, no último dia 1º de abril, a renovação do Termo de Cooperação voltado à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções para prevenção e combate à vespa da madeira (SirexNoctilio). Com a renovação do acordo, válida até 2029, a Embrapa Florestas seguirá responsável pela produção da solução biológica, além de prestar suporte técnico aos silvicultores, orientando sobre a correta aplicação e o manejo dos nematoides em campo.
Integram o Funcema a Ageflor (Associação Gaúcha de Empresas Florestais), a ACR (Associação Catarinense de Empresas Florestais), a Apre (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal) e a Aresb (Associação dos Resinadores do Brasil). O conselho administrativo do fundo é composto por Ageflor, ACR e Apre.
Segundo a Embrapa Florestas o novo formato de cooperação representa um avanço em uma parceria construída ao longo de 37 anos, reconhecida por sustentar um dos programas de controle biológico mais bem-sucedidos do setor florestal brasileiro.
Resultado de cerca de dois anos de construção conjunta, o novo acordo amplia o escopo da cooperação ao integrar, de forma estruturada, atividades de pesquisa, desenvolvimento, inovação e transferência de tecnologia. A proposta passa a ser conduzida como um Programa de Manejo Integrado da praga, alinhado às demandas atuais do setor produtivo e às diretrizes institucionais da Embrapa. Mais do que a produção de insumos, a parceria passa a priorizar a entrega de soluções tecnológicas completas, baseadas em dados e com maior articulação com o setor florestal.
Desenvolvido pela Embrapa Florestas, o Nematec®, inseticida biológico à base do nematoide Deladenus siricidicola, amplamente utilizado no controle da praga, segue como componente estratégico, agora inserido em uma abordagem mais ampla de controle.
O Nematec atua por meio da inoculação de nematoides nos troncos infestados, interrompendo o ciclo reprodutivo da vespa e reduzindo significativamente a disseminação da praga. O método é reconhecido por sua eficácia, segurança ambiental e viabilidade operacional em larga escala, fatores que contribuíram para manter os níveis de infestação sob controle no país ao longo dos anos.
O chefe-geral da Embrapa Florestas, Silvio Brienza, destacou que o novo momento representa um avanço na forma de atuação da Unidade e no relacionamento com o setor produtivo. “Hoje nós estamos inserindo nessa forma de relação o monitoramento de como essa solução elaborada lá atrás se comporta ou ela se desenvolve hoje”, pontuou.
A construção do novo formato também contou com a participação direta da gestão anterior da Unidade. O então chefe-geral interino à época da elaboração e assinatura do acordo, Marcelo Francia Arco-Verde, ressaltou que o modelo traz ganhos importantes em termos de segurança e equilíbrio na parceria. “O ajuste dirime prejuízos anuais e fortalece a confiança mútua entre a Embrapa e as mais de 170 empresas representadas pelo setor”, afirmou.
Para a supervisora do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias (SPAT), Anna Thais Gomes, responsável pela estruturação do novo modelo, a atualização foi essencial para alinhar a parceria às demandas atuais. “Conseguimos evoluir para uma abordagem mais integrada, que amplia o papel da tecnologia e fortalece sua inserção em um programa estruturado de manejo”, afirma.
Representando o Funcema, o presidente da entidade e da Associação Sul-brasileira de Empresas Florestais (ASBR), José Mario de Aguiar Ferreira, ressaltou a importância da cooperação com a Embrapa. “A cultura do pínus não poderia existir sem esse trabalho do nematoide, do monitoramento e do controle da vespa-da-madeira, e a revisão dos termos vem para garantir a continuidade do projeto sem riscos para as instituições”, afirmou.
Outro avanço do novo formato está no fortalecimento da governança e da gestão do programa, com diretrizes voltadas à maior eficiência na execução das atividades e à transparência na aplicação dos recursos. A operacionalização contará com o apoio de uma fundação, contribuindo para maior agilidade na implementação das ações e no suporte às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Além disso, a nova estrutura amplia a capacidade de resposta a desafios emergentes, como a introdução de novas espécies da praga em plantios de pínus no Brasil, permitindo o desenvolvimento de pesquisas específicas e a incorporação de novas estratégias de controle. A iniciativa reafirma a importância da cooperação entre pesquisa e setor produtivo, posicionando a parceria entre Embrapa Florestas e Funcema como referência no desenvolvimento de estratégias integradas para o manejo de pragas florestais no país.




